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JULIO

Segunda, 22 Maio 2017 16:13
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Foi como se uma porta se abrisse súbita e inesperadamente pela força de um vento forte. Foi assim que me encontrei nesta madrugada diante de fatos que estavam empoeirados, embrulhados e guardados no sótão da minha alma. Tive o ímpeto de fugir, mas sabia que não tinha escolha. Muitas cenas estavam borradas. Meu irmão de quase 26 anos estava doente. Melanoma. Julio sempre teve muitas pintas. Era um charme que virou uma tragédia. Ele havia passado um tempo nos Estados Unidos, onde operou. O que exatamente será que ele operou? Lembro que seu médico oncologista americano se chamava Dr. Roland. Lembro que conversei com ele pelo telefone. Seu irmão vai voltar para o Brasil. Ele está curado? Ficou bom? Ele precisa voltar... Precisa ficar perto da família. Doutor, o senhor não está me respondendo... Preciso que o senhor cure meu irmão. É meu único irmão! Sei... Mas ele precisa ficar perto de vocês agora. Eu não fui capaz de interpretar essas falas. Julio voltou. Fui buscá-lo no aeroporto. Eu estava grávida. Naquele tempo, podíamos ver as pessoas assim que entravam no grande salão do desembarque. Papai devia estar ao meu lado, mas papai andava mudo e quase invisível naquela época. Vi meu marido e minha mãe. Acenei para eles. Onde estava meu irmão? Não o achei e cheguei a pensar que alguma mudança de última hora havia acontecido. Minha mãe e meu marido me abraçaram e com um susto entranhando no meu corpo, reconheci a voz do meu irmão naquele homem sem cabelo, envelhecido e sem brilho que vinha junto com eles. Julio ainda teria alguns meses de vida. Eu não tinha a mínima ideia de que o fim estava tão perto. Eu tinha um filho de dois anos e um para chegar em breve. O neném chegou um mês antes do tempo e o tio lhe conheceu. Julio me pediu que não o deixasse chorar. Estranho pedido. Não tive a oportunidade de saber o seu motivo. Cumpri o possível, me esforcei. Meus avós maternos fizeram uma festa de suas bodas de ouro. Julio foi. Não sei como ele estava se sentindo. Não sei se tinha dores. Ele foi. Foram meus sogros, primos, tios e alguns parentes que não víamos com frequência. Temos fotos para garantir isso. Que esforço Julio deve ter feito para comparecer nessa festa! Não sei ao certo se foi logo depois dessa festa ou pouco antes dela, mas o fato é que Julio anunciou que queria se casar. Que reboliço! Que confusão! Julio tinha uma namorada. Não era um namoro de muito tempo, ou pelo menos é assim que o fato está registrado na minha memória. Era uma moça não judia. Não lembro seu nome. Lembro que ela não tinha a aprovação da minha mãe, nem dos meus avós maternos. Eles queriam que Julio se casasse com uma moça judia. Não lembro o que papai achava. Posso imaginar que para ele a religião da moça e o impasse resultante não eram tão importantes, mas não posso garantir nada. Lembro escutar que a moça poderia estar se aproveitando de uma triste situação. Pensando nisso agora, me parece um absurdo sem pé nem cabeça. Eu, com menos um ano que meu irmão e ocupada com os filhos pequenos, não enxergava as garras da morte se aproximando dele. Os amigos do meu irmão conseguiam conversar, rir e, provavelmente, até chorar com ele. Um deles arrumou um apartamento e concedeu a realização do seu último desejo. Julio não casou, mas foi morar com a namorada. Meus pais o queriam perto de si, mas acabaram cedendo. Eles o ajudaram a montar o seu apartamento. Capaz que até minha avó tenha ajudado. Não sei, não lembro. Geladeira, fogão, televisão, batedeira, etc.. Eu estive lá. Não sei quantas vezes fui ao apartamento do meu irmão. Não imagino que foram muitas vezes. Guardo uma imagem do Julio deitado, descansando no seu quarto naquele apartamento. Lembro que havia um som forte vindo da sua respiração. Não era um ronco. Um som que traduzia um esforço. Não lembro o nome dela, da namorada. Ela estava lá e está esfumaçada na minha memória junto dessa respiração tão difícil e ruidosa. Não estou certa se falei com ela. Acho que nunca falei com ela. Eu adorava meu irmão. Tive sempre muitos ciúmes dele. Eu não sabia discriminar meu papel de irmã do papel de uma namorada. No meu aniversário de 25 anos, meu irmão não apareceu. Era uma pequena reunião no meu apartamento com meus filhos, marido e alguns amigos. Eu reclamei. Uma reclamação estúpida e fora de qualquer nexo. Julio estava mal. Eu não escutava, nem compreendia essa informação. Julio foi hospitalizado no dia seguinte ao meu aniversário ou talvez até já estivesse internado. Lembro que encontrei seu amigo médico no quarto do hospital. Dr. Silvio deve ter me dito coisas bem diferentes das que eu captei e levei comigo naquela ultima vez que vi meu irmão vivo. Ele vai ficar bem. Ele está até mais forte... E a namorada? Não a vejo nas minhas lembranças no dia do enterro, nem na casa de meus pais, nas rezas que foram feitas durante a semana de luto. A namorada evaporou. Foi a ultima mulher que meu irmão amou. Não sei o seu nome. Lembro escutar conversas do desmanche do apartamento do meu irmão. Ela ficou com tudo. Tudo? Quem sabe o que ela queria era apenas ele? Ela possivelmente deve ter esquecido o meu nome também. Precisei quase quarenta anos para revisitar essa moça. Eu não tinha olhos, nem ouvidos para a realidade tenebrosa. Não estava capacitada a entender, quanto mais analisar e emitir alguma conclusão. Foi assim que perdi uma pessoa que pode ter sido alguém muito especial, afinal meu irmão escolheu compartilhar seus últimos dias com ela. Olhei o despertador. Eram quase cinco horas. Olhei meu marido adormecido. Ele já estava comigo quando eu tive que conhecer essa dor.  Ajeitei-me nos seus braços. Estava sentindo uma emoção muito especial, como se tivesse entrado uma nesga de luz no sótão da minha alma.   

A PEQUENA E SEU HERÓI

Sexta, 15 Março 2019 09:13
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Eu não dormia sozinha quando era criança. Meu irmão e eu dividíamos o mesmo quarto. Duas camas, uma caixa de brinquedos e um armário para nossas roupas. A janela não tinha grades nem redes e nunca nos atrevemos a fazer nenhuma estripulia. Julio tinha medo do escuro e enxergava o Lobo Mau nas sombras sinistras que apareciam nas nossas paredes todas as noites. Ele era mais velho e para mim era o modelo perfeito. Talvez nessa época tivéssemos cinco e seis anos. Nossa diferença de idade era exatamente um ano e vinte dias e sempre motivava espanto em quem ficasse ciente dessa realidade.  Ouvi mais de um adulto falar que meus pais não perderam tempo e isso me fazia variar de confusa a orgulhosa. Meu irmão era mais forte e mais alto que eu. Ele corria, pulava, nadava e fazia tudo melhor que eu. Quando jogávamos jogos de tabuleiro, invariavelmente eu perdia e choramingava me queixando para mamãe que ele ria de mim e não sabia ganhar. Essa minha atitude nunca me rendeu nenhum conforto, pelo contrário. Tinha que escutar as risadas mais altas do meu irmão e a voz da minha mãe me dizendo para deixar de ser boba. Ele teve facilidade para aprender a ler e lembro bem dele se deleitando quieto durante horas a fio com seus livros. Julio foi capaz de ler sem parar “Os doze Trabalhos de Hércules”, de Monteiro Lobato. Eram dois tomos. Fiquei imensamente admirada dessa sua proeza. Mais que admirada, fiquei chocada. Era um atestado da sua superioridade. Nunca cheguei perto desses livros. Resolvi que não eram para mim. Foi assim que eu iniciei uma construção de minha imagem com tijolos débeis. O material bom e forte estava no Julio. Por pouco eu poderia ter ficado irremediavelmente complexada, oprimida e abafada.  Não me lembro dele me ensinar a ler ou ler comigo algum livrinho. Na escola, fui aprendendo e fazendo progressos e ler se tornou algo que, como Julio, também me enchia de prazer. Eu gostava de me mostrar, gostava de aplausos e beijinhos. Era uma irmã caçula buscando farelos de aprovação em cada cantinho da vida. Todas as noites, tínhamos que ir dormir na hora que a TV avisava o início do Repórter Esso. Era um toque odioso. Uma trombeta insistente. Quando esse momento chegava, mamãe se tornava uma bruxa surda e louca que apontava para o banheiro para escovarmos os dentes e depois nos arremetia nas nossas camas. Nada do que argumentávamos adiantava para rompermos a regra do toque de recolher na hora do Repórter Esso. Mamãe nos cobria e nos dava um beijinho. Por fim, já quase fechando a nossa porta, nos dizia todas as noites a mesma frase em idish “Gai Schlufn mit Guesint ”. Mais do que o significado, “vá dormir com saúde”, eu entendia que eram palavras que vinham de muito longe e tinham um estranho poder. Com esse ritual, era para dormirmos imediatamente. Mas, quando o escuro tomava conta de nosso quarto, meu irmão se transformava ou era invadido por alguma alma muito medrosa. Não posso afirmar se eu tinha sono e adormecia. Nem sei quantas noites de fato presenciei seu pavor ao se deparar com o bicho assustador e mau. Eu poderia pegar na sua mão e conversar um pouco com meu irmão. Não acho que fiz isso. Poderia ter ido para caminha dele. Poderia tê-lo abraçado e sussurrado uma melodia doce para espantar seu medo. Não fiz nada disso. Se Julio via o Lobo, era por que o lobo estava realmente no nosso quarto. Se eu não o enxergava, era por eu ser ainda pequena e não tinha a habilidade que ele tinha. Lembro vagamente que mamãe e até papai entravam no quarto para acalmar meu irmão. Lembro-me, também muito esfumaçado, que o Lobo sumiu e passei a escutar que eram ladrões que estavam em casa. Nessa fase, após o toque de recolher e antes de deitar, meus pais faziam um giro com Julio pelo nosso pequeno apartamento, verificando com ele todas as portas e janelas. Não adiantava. Claro que não, afinal, monstros e pavores não obedecem a trancas. Eu poderia ter feito carinho nas suas costas e na sua cabeça até que ele adormecesse em paz. Não fiz. Creio que eu rezava em silencio para que o dia fizesse meu irmão retornar ao que era. Eu tenho quase certeza que rezava e dizia que não iria me importar se ele risse de mim quando ganhasse nos jogos. Como era grande o medo dele! Não sei como, nem quando exatamente, mas tudo isso passou. Minha mãe nunca deixou de nos beijar, de nos cobrir e de nos dizer a frase em idish. Hoje, sou adulta. Não consigo dormir sem me cobrir. Antes de fechar os olhos, sempre procuro a foto da mamãe, do papai e a do meu irmão. Ainda escuto aquela voz doce me bem dizendo em idish. Em muitas noites enxergo minhas mãos entrelaçadas com as de meu irmão. Quando no escuro das altas horas me reviro e não acho o rumo da serenidade, lá de uma foto, ou talvez de bem mais longe, me chegam sussurros em forma de acalento e mantra: Gai schlufn mit guesint, Gai schlufn mit guesint, Gai schlufn mit guesint...

PEIXINHO E O GRUPO DE TRÊS

Quarta, 20 Março 2019 15:45
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Na minha infância, vivi no Rio de Janeiro. Quase todos os dias, minha mãe, meu irmão e eu íamos à pracinha Afonso Pena. As primeiras lembranças que me vêm à mente são das escadas que tínhamos que descer para chegar à praça e dos muitos bancos de pedra onde as mães podiam se sentar, conversar e eventualmente nos vigiar. Lá podíamos andar de bicicleta, brincar de queimada, de polícia e ladrão, mímica, danças e uma infinidade de brincadeiras que inventávamos na hora. Não morávamos tão perto. Pode ser que, da Rua Aristides Lobo, onde morávamos, até a pracinha, não se levava mais que meia hora, mas para as minhas perninhas curtas era um trajeto longo e exaustivo. Na ida e na volta, eu ia reclamando e tentando fazer mamãe me dar colo. Invariavelmente, eu pedia para parar para tomar guaraná. Por favor, mãe, eu choramingava, todas as crianças param um pouco, se refrescam e tomam guaraná... Mamãe deve ter feito treinamento num quartel e sabia responder firme e forte que não. Ela me dizia para fingir que estávamos num deserto. Pelo tanto que escutei essa frase, imagino que minha mãe acreditava no valor desse exercício. Para não ouvir minha choradeira, mamãe entoava um hino que devia ser a abertura de uma novela do rádio. Logo meu irmão e eu nos juntávamos na cantoria. Foram tantas as repetições e tamanho era o entusiasmo com que era cantado, que esse hino grudou em minha cabeça e até hoje o sei de cor: “Abram alas que passa um cortejo, ao compasso de um hino de glória. Vale um beijo por vitória. Haja luta que eu quero venceeeeeeeeer! Somos dois e valemos o mundo. Somos dois, por enquanto e talvez se as vitórias forem muitas formaremos um grupo de trêêêês!” Ao cantar essa música, Julio, mamãe e eu nos dávamos as mãos, tornávamos cadenciados nossos passos e assim a caminhada seguia mais rápida e até animada. Na minha memória, havia na pracinha um lago enorme e perigoso que tinha as águas escuras. Na minha visão de menina de não mais que sete anos, ir pescar naquele lago era um desafio que só os muito valentes conseguiam enfrentar. Meu irmão e todos os seus amigos pescavam no lago. Minhas amigas não gostavam nada disso e nem chegavam perto, mas eu sentia uma atração irresistível e invariavelmente me juntava com os amigos do meu irmão para a pescaria. Ainda lembro os avisos da mamãe: Podem pescar, mas cuidado! Dois meninos já caíram nesse lago... E não coloquem a mão na boca, nem nos olhos depois de molhar nessa água imunda! Tem gente que de noite faz xixi nesse lago...! Mamãe sabia como ser convincente. Não usávamos vara. Pescávamos com caixinhas de papel de sorvete Kibon que achávamos jogadas pelo chão da praça. Trazíamos de casa um arsenal de pequenas bolinhas de miolo de pão. Tínhamos que ficar quietos e agachados, segurando a caixinha na água com a isca flutuando por cima. Quando um peixe aparecia para fisgar o miolinho de pão, tínhamos que ser ágeis e levantar a caixinha com o peixe dentro. Quando alguém pescava era uma gritaria danada. O pescador ficava eufórico como se tivesse feito um gol ou tivesse acabado de ganhar uma partida de algum jogo. Só consegui pescar naquele lago um peixe. Não fiz nada de diferente das outras de vezes. Tive sorte.  Foi um momento de glória. Meu irmão e seus amigos me rodearam. Até me deram parabéns. Será que realmente alguém me carregou no colo ou isso é invenção da minha cabeça? Corri para mostrar para mamãe. Ela, distraída, conversando com as outras mães, não deu muita bola. Sem olhar direito para o peixe, apenas falou: Ótimo querida, agora o devolva para o lago. Como assim? Nem pensar! Depois de tanto trabalho não era certo deixar meu troféu para trás. “Olhe, mãe, como ele é lindo! Vou leva-lo para casa.” Para grande espanto meu, nem houve discussão. Mamãe concordou. Levei o peixinho com muito cuidado e posso imaginar que ainda assim a água da caixinha de sorvete foi derramando pelo caminho. Quando chegamos em casa, corri para o banheiro e enchi de água a banheira. Agora sim meu peixe teria um local apropriado. Ele pareceu gostar daquele aquário grande e improvisado que lhe arrumei. Tomei banho com ele. Claro que só eu me ensaboei. Por algum motivo, que hoje não consigo decifrar, entendi que não deveria lavar o meu peixinho com sabonete. Ainda lembro como gostei de segurá-lo em minhas mãozinhas. Eu me esforçava para não deixa-lo escapar, mas ele era esperto e conseguia se desvencilhar de mim. Parecia que ele entendia a nossa brincadeira e eu entendi que ele era meu animal de estimação. Experimentei uma alegria enorme, diferente de outras que já haviam me acontecido. A brincadeira mudou e passei a jogá-lo para cima. De início devagar, mas como ele também estava gostando, fui aumentando as distancias. Teve vezes que eu o atirava bem para cima mesmo, o peixinho quase batia no teto. Adorei admirar seus mergulhos espetaculares. Meu peixe parecia estar se divertindo como nunca! Ele jamais brincou desse jeito naquele lago de xixi. Quando escutei a voz da mamãe chamando meu nome, senti pena de ter que interromper minha alegria. Como não respondi, mamãe veio pessoalmente me fazer sair do banho. Foi duro ter que parar a brincadeira para ir almoçar. Engoli a comida sem prestar a mínima atenção nas conversas que aconteceram e nos alimentos que ingeri. Estava com pena de ter que ir para escola. Cheguei a ensaiar um jeito de não ter que ir. Quis levar meu amiguinho para escola. Mamãe não deu trela para nenhuma dessas conversas. Entrei no banheiro e expliquei para o peixinho que logo estaria de volta. Entendi que ele ficou feliz em saber e fui vestir meu uniforme correndo. Já estava bem atrasada para pegar o ônibus escolar, mas antes de sair de casa quis me despedir mais uma vez do meu novo amigo. Encontrei-o deitado de costas. Mexi nele, mas ele não reagiu. Quis acreditar que estivesse dormindo, afinal ele brincou muito e poderia estar cansado. Acorda, sussurrei já me deixando levar por uma emoção muito forte e estranha para mim. Acorda!!!! Por favor, acorda! Devo ter entendido o que aconteceu e comecei a chorar. Mamãe apareceu. Meu irmão também. A pressa de ir para escola sumiu. Estávamos os três e o peixinho no banheiro. Lembro, ou construí a cena, de estar abraçada com mamãe e Julio. Mamãe disse algumas palavras, possivelmente sobre a vida do peixe e logo, muito prática e cheia de nojo, capturou-o com uma saboneteira, jogou-o no vaso sanitário e puxou a descarga: “Vá peixinho, vá em paz!” Fiquei atordoada. A pressa de não perder o ônibus escolar havia voltado. Crianças escutem a buzina, o ônibus já chegou! Vamos correr! Ainda atordoada, fui atrás do meu irmão, cumprimentei Seu Silvério, o motorista, e me acomodei num banco do ônibus. Meus pensamentos não se acomodavam. Eu estava num ônibus em movimento e minha alma estava presa no que havia acontecido. Não entendi como foi possível meu peixinho acabar assim. As copas das árvores passavam pela janela do ônibus. Parecia que ele estava tão bem, tão feliz...  

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