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Pequena palestra para um Dia das Mães

Sexta, 10 Maio 2013 09:57
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Honestamente, a primeira emoção que me inunda no Dia das Mães é a saudade que sinto da minha Mãe. Não é tristeza, nem revolta. Longe disso! É uma saudade mansa e já calejada. É como um vento que descabela, mas não maltrata. Só faz questão de que se saiba que está presente. Parece que o que acontece então, é que mamãe chega mais perto. Como se tivesse viajado para longe, para algum lugar indefinido e distante e, por algum motivo inexplicável, ela se aproxima. Passo a sentir a sua presença, seu cheiro me inebria e seu toque delicado me domina. O doce conforto de estar embalada em seus braços se traduz numa incomparável sensação de paz. Sou levada a fechar os olhos e, por um momento, fico confusa a ponto de eu me indagar se voltei a ser criança. São momentos mágicos. Não sei como, nem quando passei a ter acesso a esses momentos. Não sei ensinar ninguém a fazer o mesmo. Nem pensem que é má vontade. É assim mesmo... foge a qualquer esfera racional e lógica. E eu adoro... Após me saciar e me sentir plenamente bem no meu papel de Filha, posso direcionar-me para a Mãe que sou. Sinto alegria revisitando histórias com meus dois filhos. Fui uma mãe jovem. No meu tempo... (Quem diria que eu já estaria usando esse recurso!) Bem, no meu tempo, casávamos por volta dos vinte anos e não demorávamos a ter filhos. Não há nada na minha vida que se compare com as grandes emoções que vivi nesse papel de Mãe. À medida que meus filhos foram crescendo, fui percebendo necessidades diferentes. O espantoso foi perceber cada vez menos necessidades. Fui me tornando dispensável. Um choque! E agora? Aprenderam a voar e até deixaram o ninho. Já haviam me falado sobre isso... Depois de digerir bem toda essa grande novidade, consegui entender direitinho que passei a ser mãe de adultos e não demorei muito a me permitir sentir orgulho de ter feito um bom trabalho. Depois que os filhos cresceram e se casaram, vivi, sem saber, como se estivesse me preparando para uma tremenda e fabulosa aventura. Foram anos de construção de algo novo em mim: uma Avó. Descobri que guardava um desejo de voltar a segurar bebes no colo, fazê-los adormecer cantando músicas da jovem guarda ou do cancioneiro judaico, brincar no chão, dar banho, alimentar... e tudo isso foi crescendo dentro de mim. A grande novidade era que não me cabia nenhuma possibilidade de ajudar a fazer acontecer. Querer ser avó é um desejo de quem está na torcida, de quem, no máximo, acompanha o jogo, mas não joga. Uma vez cheguei a ganhar uma linda boneca de meu filho Marcelo e de sua esposa Regiane, era para eu me acalmar... Minha primeira neta, Luna, já tem 4 anos. Como se tivessem arrombado comportas, foram surgindo os meus outros netos: Melissa, 3, Leo, 2 e Giovana 7 meses.  Sou avó exatamente da maneira que minha vontade sonhou. Não posso ser original num tema como esse. Não esperem isso de mim. Preciso afirmar que reconheço e sua muito grata pela benção de ter tido meus filhos e meus netos. Sou grata também pelas noras e sogra que tenho. Nada dessa história teria acontecido se não fosse um encontro que se deu no século passado, em 1969. Era carnaval.  Um moço fantasiado de esfarrapado chamou minha atenção. Não ficamos, nem fomos audaciosos  a ponto de avançar sinais. No nosso tempo a toada era mais devagar... Namoramos 5 anos. Fizemos planos e sonhamos muito. Queríamos muito mais que alguns tons de cinza, queríamos o arco íris inteiro. E fomos buscar. Foi esse moço que me transformou primeiro em mulher e depois em mãe. Esse moço é hoje avô junto comigo. Poderia eu ter tido um rumo melhor? Uma história mais espetacular? Não acredito que seria possível. Vivo a melhor das histórias. Às vezes sou protagonista, outras sou coadjuvante e outras apenas plateia. Cada vez, creio eu, estou tentando melhorar na arte de entrar e sair de cena. Aplaudo a todos, filhos, noras e netos. Dou a mão para o meu marido e sinto alegria e paz inundarem minha alma, puro farguinign... Para concluir, desejo para vocês nesse próximo Dia das Mães: Que cada um de vocês possa relembrar e celebrar sua história de vida! Que suas mães, onde quer que elas estejam, consigam se aproximar de vocês e lhe aquecer os corações!

Sessenta

Terça, 23 Julho 2013 11:20
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Entrei nos sessenta e minha primeira dúvida é se exclamo ou coloco reticências. Por ter alcançado seis décadas, recebi carinho de muita gente e de várias formas. Amigos e parentes quase me garantiram que há muita coisa boa pela frente com seus votos de felicidades. A sensação que paira em mim é de que fui pega pela mão e até no colo, fui embalada e acariciada, fui mimada. Tive festa e ganhei muitos presentes. Meu marido conseguiu traduzir seu amor através de um aniversário inesquecível. Fui surpreendida até quase perder o fôlego. Renato foi seu grande cúmplice e tudo foi mágico. Tudo foi perfeito. Foi uma reunião salpicada de amor para celebrar a alegria de viver. Uma sombra passa na minha cabeça e me faz lembrar que meu pai só viveu mais dez anos que o tanto que agora alcancei viver. E minha mãe dezesseis. O tique taque de um sinistro contador de tempo me arrepia. Tenho planos de estar com os netos por muitos anos ainda, pois preciso lhes contar muitas coisas, estar para eles quando precisarem de mim e quero também, ou principalmente, usufruir do farguinign (palavra em idish, praticamente intraduzível, que quer dizer satisfação em alto grau, um prazer inebriante) de ver as conquistas que farão através das suas jornadas de vida. Quero passear, rir, desfrutar da vida. Quero ter muitos outros encontros com pessoas que amo. Quero escrever e escrever para dar vazão às ideias que me inundam. Não posso assegurar quanto tempo mais vou seguir terapeuta. Talvez uns anos. Tenho que ter mais sabedoria para usar o tempo... Preciso de paz para buscar aprender tantas coisas... Quero ainda milhares de vezes, estar com meus filhos e suas lindas famílias. Quero esticar ao máximo meus momentos com meus tios, sogra e todos que me enxergam como uma menina. Eu busco neles meus pais e sei que eles sabem disso. Muitas vezes, no meio de um jogo de palavras cruzadas, por exemplo, chego a esperar ouvir mamãe ou papai dando algum palpite no jogo ou enganchando numa das conversas que rodeiam o tabuleiro. Ah! Eis que surgem as lágrimas que estavam emboladas dentro de mim! Choro. Desafogo. Incluo meu irmão nos meus pensamentos e desejos de aproximação. Deixo-me ficar um pouco com eles. Preciso e gosto de ficar assim. E me abro para receber meus avós, meu sogro, amigos e reverencio a todos com emoção. Parece que ajeito alguma coisa dentro de mim. Parece que faltava incluí-los oficialmente na ocasião festejada. Já se passaram três dias. Estou com sessenta. Já ficou na minha memória a linda festa e tudo que aconteceu até todos voltarem para suas casas. Ficou um livro com lembranças preciosas e declarações de amor de mais de oitenta pessoas que fazem parte da minha vida. Ficaram mensagens na minha caixa de e-mails e no facebook. Em mim, dentro de mim, fica a certeza da vontade de seguir adiante e os agradecimentos pela vida abençoada nesses primeiros sessenta anos.    

QUE ADULTO TERÁ SE TORNADO ESSE MENINO?

Quinta, 17 Outubro 2013 11:35
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Se a memória não me falha, na época eu não tinha filhos e esse fato aconteceu por volta de quarenta anos atrás. Meu marido quis demonstrar gentileza para com seu chefe do trabalho e convocou-me para ir com ele visitar o tal chefe num apartamento quente e bem pequeno. Era uma manhã de sábado ou domingo com sol e calor. Quem já esteve no verão do Rio de Janeiro consegue imaginar o clima. O homem era casado e tinha só um filho de uns cinco anos.  Na ocasião, claro que nem pensamos, mas hoje posso imaginar a contrariedade da esposa do chefe querendo saber se, realmente em vez de ir à pracinha ou à praia, eles iriam ficar em casa recebendo visita... Assim que abriram a porta, demos de cara com um menino bastante ativo que corria pelo apartamento e também pulava nos sofás. Não veio nos dizer bom dia, nem ninguém o chamou para sermos apresentados. Era esperto e arrumou um jeito mais efetivo de se fazer notar: enquanto corria e pulava, passou a dar berros e gritos. Ele apenas estava chamando a atenção de seus pais, mas para nossos olhares inexperientes enxergamos uma aberração. Tínhamos uma caixa de bombons para dar para a criança. Quando o garotinho sossegou um pouco, entregamos a ele o seu presente. De imediato, reparamos que ele não nos agradeceu e nem ninguém lhe sugeriu que o fizesse. Em segundos, o papel de presente foi furiosamente estraçalhado. Sem largar a caixa de bombons, o menino puxou uma cadeira para perto da janela. Havia uma proteção e, acredito que por essa razão os pais não se importaram com o gesto. Como quem deu asas ao diabinho que lhe estava soprando orientações, o menino passou a jogar pela janela um por um e até o final, todos os bombons. Foi tudo muito rápido. Não me lembro de como meu marido e eu deixamos escapar nosso desconforto e estranhamento com o que havia acabado de acontecer. Pode ser que até pedimos para o menino parar de jogar os bombons fora. Pode ser que apenas ficamos com nossas bocas abertas, sem fala e com o espanto estampado nos nossos rostos. O pai, que assistiu impávido a toda a cena, para surpresa nossa, não se dirigiu ao seu filho. Suas palavras foram para nós: Se vocês deram um presente para ele, ele tem o direito e pode fazer com esse presente o que quiser. Não é mais de vocês. Esqueçam! Pode ser até que o que ele fez não agrade a vocês... Paciência! Muito sem graça e já sem assuntos, não demoramos a nos despedir e retirarmos nosso time de campo. Em poucos meses meu marido mudou de emprego e assim perdemos o contato com essa família. Deve haver alguma razão para essa história ter ficado na minha cabeça tanto tempo e ter surgido agora. Vou cavar essa resposta durante minhas reflexões, mas há uma mistura de desejos e vários questionamentos que identifico de imediato. Tenho vontade de saber que rumos o menino terá tomado na sua vida à medida que foi crescendo. Será que na escola foi um aluno taxado de ter um comportamento difícil? Será que virou um cara do bem? Será que teve filhos e os educou como foi educado? Seus pais ficaram satisfeitos com a educação que deram para o filho? Deu certo? Eu me sinto como se estivesse no meio de um filme ou de um livro e, por algum motivo, não pudesse ver ou ler o final. Fica faltando fechar alguma coisa... Você entende? Já lhe aconteceu isso? Então, vou lhe pedir um favor, se esse menino era você ou se você sabe onde anda o homem no qual ele se transformou, não hesite, mande-me uma mensagem. Agradeço de coração.    

BENTO QUERIA SER VENTO - Infantil

Segunda, 16 Março 2015 14:46
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Era uma vez um menino chamado Bento. Era pequeno e cheio de energia. Tinha seis anos, olhos espertos e uma cabeça que pensava sem parar. Numa tarde de domingo, Bento parecia distraído, sentadinho no chão, não muito longe de sua casa, brincando com uma varetinha, olhando o que acontecia ao seu redor. Olhava e pensava. E pensava e pensava... O vento parecia fora de si. Estranho? Pode ser, mas era essa a impressão que Bento tinha, pois enxergava que o vento estava totalmente louco, fazendo portas baterem, vestidos e saias serem levantados e fazendo também papéis e miudezas voarem. Fora toda essa bagunça ainda havia gente correndo para todos os lados. Que força o vento tem! Enquanto Bento refletia sobre o poder do vento, escutava a voz de sua mãe que lhe chamava: Bento! Vem para casa! Beeeento! Onde você está? Vai cair uma tempestade. Ô menino... Precisamos fechar a casa! Como, às vezes, acontece com as crianças, Bento estava sem vontade de obedecer. Seguindo a desobediência, Bento saiu em disparada gritando. Gritava como se vento fosse. Sou o Veeeeeento! Beeento Veeeento! Sem nenhuma preocupação com a chuva forte que estava sendo anunciada, Bento foi se distanciando de sua moradia. Sou Veeeento! Veeento! Dois dentes de leite da frente já haviam caído e Bento estava achando graça falar que era vento, pois a falta dos dentes fazia a palavra vento sair de forma engraçada. Ventava na sua boca... Veeeento! Seguiu correndo, imaginando que estava voando. Não demorou muito, foi parar na beira do lago. Notou que a água estava descolorida de negro. O céu escuro refletido no lago dava um aspecto bem diferente de quando os dias são claros e o céu é azul. Não havia ninguém na beira do lago. Nem patos, nem sapos, nem passarinhos. Só a ventania cada vez mais forte e ele, Bento, o menino que parecia que engoliu o desassossego. Com os braços bem esticados, Bento tentava ensaiar voos para todos os lados. Em alguns momentos o vento lhe dava a impressão de que iria lhe levantar, mas Bento não estava nem um pouquinho assustado. Pelo contrário, ele estava deslumbrado. Depois de ir para lá e para cá, Bento sentiu vontade de mudar de brincadeira. Atirou longe seus sapatos e correu para colocar os pés na água. Achou delicioso e refrescante!  Essa alegria não durou muito, pois trovões e relâmpagos passaram a se revezar fazendo com que o céu ficasse com uma aparência sinistra. Gotas de chuva começaram a cair. Gotas grossas. Bento lembrou que era perigoso ficar na água, mesmo só com os pés, pois algum raio poderia ser atraído e cair nele. Isso não é brincadeira! É coisa séria! Ainda bem! Bento saiu do lago. Levantou-se para ir pegar seus sapatos. Não reparou na raiz de uma árvore, tropeçou e caiu. Sentiu uma dor forte. Machucou seu pé. A tempestade seguia muito forte. Trovões e relâmpagos estavam mais ferozes e insistentes. Raios pareciam cair pertinho dele. Bento começou a sentir medo. Sabia que tinha que sair de onde estava. Ficar perto de árvores era muito perigoso, pois as árvores também atraem os raios. Bento sentiu que estava ficando mais e mais assustado.  Queria estar em casa com sua mamãe e papai. Queria estar na sua cama sequinha. Teve vontade de chorar e imaginou que seus pais deveriam estar preocupados com ele. Fez um esforço grande e se levantou com a ajuda de um pau que achou jogado na grama. Estava totalmente molhado por causa da chuva. Estava encharcado. Queria conseguir voltar rápido como o vento, mas a dor lhe fazia dar passos pequenos e bem devagar. A brincadeira que ele havia tanto gostado já não tinha graça nenhuma. Lembrou que deveria ter respondido, quando sua mãe lhe chamou. Ah! Como queria escutar sua mamãe lhe chamando novamente... Beeeeeeento! Era ela! Sua mamãe estava lhe procurando. Aqui mamãe! Beeeeento! Agora era a voz do seu papai. Ah! Que alegria! Estou aqui! Papai! Mamãe! Em poucos instantes, Bento e seus pais estavam abraçados. Papai lembrou que era melhor saírem logo dali. Colocou Bento no colo e acompanhado da mamãe não demoraram a chegar a casa deles. Onde você estava menino? Correndo... Achando que era o vento... Brincando... Ouvindo mamãe chamar e não respondendo... Fingi que não escutei. Isso não foi nada bonito, disse a mamãe. Não vou mais fazer isso não. Acho que não quero mais saber de ser vento, sou Bento. Isso já é muito bom! Papai e mamãe concordaram com ele, lhe abraçaram e lhe encheram de beijos. Os três estavam felizes e, de dentro de casa, sãos, salvos e juntos contemplaram a tempestade que ainda caiu um bom tempo.

INDECISA

Quinta, 08 Outubro 2015 09:51
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Ela torce para que seja um bom momento, mas não tem certeza. Quer se despedir, mas tem a sensação de que pode incomodar e isso não é o que pretende. É estranho pensar que as crianças    estarão brincando e não vão interromper o que fazem para falar com ela. Só para falar com ela... Os adultos podem estar lendo, cozinhando, arrumando alguma coisa ou descansando e também podem preferir não ouvir suas despedidas. Essa hesitação nunca fez parte do modo dela se comportar. Em geral, sempre foi decidida e confiante. Estará ficando uma velha frouxa? Era tão firme... Por outro lado, pode estar aprendo a ser mais respeitosa. Suas urgências e necessidades podem esperar e assim têm a probabilidade de se revelar como desimportâncias. Qual o problema de viajar sem dizer tchau? Certamente nada muda no universo. O mundo vai continuar a girar igual. Ela sabe disso, mas é como se estivesse partindo levando uma bagagem incompleta. Fica lhe faltando falar as falas que traduzem seu carinho e amor e escutar desejos de boa viagem. Ora, pensa ela, certamente foi condicionada a esse tipo de comportamento. Era assim que seus pais e avós faziam. Mas quem sabe pode ser bom experimentar fazer diferente? Talvez nas primeiras vezes, como essa, sinta um nó, um aperto e até uma dor. Talvez com o tempo não sinta mais nada. Da sua garganta escapa um som. Parece que disse basta. Ao notar que estava falando sozinha fica encabulada. Frouxa e maluca... Ela pega o celular e procura alguma mensagem ou ligação que possa ter perdido. Não tem nada. Olha pela janela tentando fazer seu olhar chegar ao impossível. Num ímpeto resolve arriscar. Liga. Toca, toca e ninguém atende. Liga novamente. Nada. Deixa um recado. Desliga achando que não disse exatamente o que pretendia. Balança a cabeça. Agora é tarde. Pega sua mala, abre a porta e vai.

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