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Brincadeira de bola

Sábado, 11 Agosto 2012 15:32
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A tarde estava bonita e os meninos se divertiam. Chutavam bola de um gol para o outro num campo improvisado. Vai logo! Gol! Agora agarre essa bomba... Num dado momento, uma menina surgiu. Ela se sentou no chão, bem próxima de onde os dois irmãos estavam e se mostrou interessada em se tornar espectadora daquela brincadeira. Os jogadores gostaram, mas o problema é que a garota veio com um refrigerante numa garrafa de vidro. O jogo foi interrompido para que um aviso importante fosse dado. Cuidado com a menina!  Mire bem para não provocar um acidente. O jogo prosseguiu pra lá e pra cá, até que um chute sem pé nem cabeça espatifou a garrafa de vidro da menina. O jogador que fez a falta saiu correndo. Parecia que ele tinha por certo que estava sendo perseguido. Surgiu na frente de sua mãe totalmente esbaforido, suado e sem cor. Sem se exasperar, afinal tinha prática de lidar com as urgências de gente miúda, ela lhe perguntou qual era o problema. Do alto de seus sete anos e num fôlego só, despejou seu pânico. Tem uma menina que quer me matar! Vem tomar uma água e me conte... O que houve? Cadê seu irmão? Estávamos jogando bola, quando uma menina se sentou com uma garrafa perto do nosso jogo. Falei para tomar cuidado e eu mesmo acabei acertando em cheio na garrafa. Foi sem querer... A mãe não precisou maiores explicações. Vamos! Ajude-me a levar uma vassoura, pá e jornal para catar todo vidro quebrado. Encontraram a menina perto do local do jogo. Não parecia que ela tinha perseguido ninguém, muito menos tinha ares de quem iria cometer um assassinato. A mãe garantiu para a garota que assim que limpasse tudo, iria lhe comprar um novo refrigerante. O menino pediu desculpas e, cheio de dedos, abraçou a menina. Tudo se resolveu. E como fecho especial, uma espécie de cereja do bolo de uma estória tão singela, o filho lançava sem parar um olhar de gratidão para mãe, enquanto eu, ou melhor, a menina, chupava seu refrigerante num canudinho, sem pressa nenhuma de acabar aquele momento...

Vista da Janela de Melissa Michelsohn

Terça, 11 Dezembro 2012 22:21
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Dessa vez, Melissa não fez pose. Uma fotógrafa atenta e sensível capturou esse momento na sua festa de 3 anos. Vou me atrever a contar para vocês por onde me parece que Melissa estava devaneando. Melissa enxerga uma festa de gente grande. Luna, sua prima queimadinha do sol, está chegando em cima da hora com os cabelos curtos e um namorado novo a tiracolo. Elas se abraçam e demonstram o quanto estavam com saudades uma da outra. Sem que percebam, Melissa segreda no ouvido da prima que achou bonito o moço que ela arrumou. Dão risadas... Elas eram pequenas quando as circunstâncias da vida as separaram, mas parece que a distância só fez foi alimentar a união e amizade entre elas. Luna está se formando em biologia e conta sua grande novidade: pretende trabalhar na ONU. Tio Marcelo e tia Regiane se mostram orgulhosos. Num canto animado, Leo está conversando com sua tia Sandra. Ele conta sobre sua vontade de morar fora do país, talvez Austrália, talvez Canadá... Não sabe bem o que vai estudar, mas quer conhecer o mundo antes de se casar. Tia Sandra pergunta se ele vai se adaptar, se tem algum receio, mas ele lhe conta que o primo Flávio, do Rio, tem lhe dito maravilhas sobre Vancouver e o tio Jacky o convidou para passar uns tempos na casa dele em Sidney. Giovana está falando com as avós sobre as durezas deste ano do vestibular e como anda estudando muito para entrar em Medicina. Giovana é meiga e tem um jeitinho doce. Além de irmã, é uma grande amiga. Melissa se vê com mais atenção. Está uma moça bonita. Seus cabelos lisos e longos estão presos num rabo de cavalo. De mãos dadas com seu namorado, Diego, ela conta para os tios de SP sobre o seu trabalho de fim de curso na graduação em Teatro da UNICAMP. Já se apresentou fazendo algumas pontas e até apareceu numa novela na televisão. Apesar do calor, Melissa quis comemorar seus 22 anos no salão de festas do prédio do vovô Rony. Quis uma festa para reunir a família e alguns amigos mais chegados. Seus pais e tios dão risadas gostosas. Sempre é assim. Seu pai é impossível e sabe contar piadas e casos muito engraçados. Melissa sempre escutou que o pai da vovó Rosali, o biso Chaim, era muito extrovertido e que seu pai se parece muito com ele. Ela pensa que seu pai seria um ótimo ator. Melissa enxerga as bisas Edith, Peche e Ida conversando e sorrindo. Pode ser que não escutem tudo o que uma diz para a outra, mas com certeza elas arrumam um modo de se entender. Sua mãe e tia Regiane estão chamando para cantar parabéns. Giovana abraça vovô Eduardo e brinca com vovô Rony escondendo rápido seu mais moderno i-phone. Melissa sopra as velas depois dos Parabéns. Faz um pedido enquanto corta o bolo. Não pode falar o que pediu. Por segundos ela fecha os olhos. Ela olhou para sua janela. Eu olhei para minha. Assim que abre os olhos, Melissa sorri para mim.

ARTIMANHAS DA MINHA CABEÇA

Segunda, 14 Janeiro 2013 09:06
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Fico muito intrigada quando não me lembro do nome de uma pessoa. Quando isso acontece, em geral, consigo saber se gosto dela, sei dizer o que ela faz, lembro fatos que passamos juntas, mas o nome escafede de tal forma, que não há como encontrá-lo no meio de tantas coisas que coexistem na minha cabeça. Ontem, passei pela minha portaria e quis saber como estava a moça que faz a limpeza do prédio. Ela andou gripada. Quando a vi, foi como se imediatamente estivesse entrando num jogo, sem que eu tivesse a mínima intenção de fazê-lo. Esqueci seu nome. Conversei com ela tentando não demonstrar minha falha. Consegui saber que ela melhorou. Seu nome? Nem uma pista. E, para tornar o jogo mais interessante, minha memória resolveu me estampar em letras garrafais um nome que eu não escutava há décadas: Gontijo Theodoro. Foi assim mesmo. Do nada. Acredito que pouca gente conhece alguém com esse nome. Fiquei feliz, pois logo lembrei direitinho de quem se tratava. Ele foi o Repórter Esso durante quase vinte anos numa emissora de televisão. Possuía uma voz maravilhosa e uma dicção perfeita. Minha mãe usava a aparição do Gontijo na TV para colocar as crianças na cama. Na época da minha infância, costumava-se encerrar as atividades infantis por volta das 20 horas e assim sobrava um tempo para os adultos. À medida que íamos crescendo, meu irmão e eu, ganhávamos direito a um tempo a mais do Repórter Esso. Ir para cama no final do programa foi uma conquista que passamos a ter após os oito ou dez anos. Isso tudo me fez pensar que ninguém assistia desenhos ou programas infantis nessa hora. E como só tínhamos um aparelho de TV, quem não gostasse de saber notícias, podia ir brincar ou ler, só não podia atrapalhar quem estivesse assistindo o Repórter Esso. Imagino que para meus pais e muita gente daquela época, receber as notícias pela boca do Gontijo era como se bebessem água de fonte garantida. Alguma coisa me distraiu...Talvez um raio de sol ou um passarinho, e quando dei por mim, já estava bem longe da minha portaria e dos primeiros pensamentos que me ocorreram ao sair de lá. Achei graça. Sei que funciono assim muitas vezes. Parece que engancho em coisas soltas que estão voando dentro da minha cabeça. É como se eu sorteasse uma carta no meio de uma montanha delas. Sinto muito prazer e não tenho medo. Não acho que essa forma de saltitar de pensamento em pensamento seja um indício de alguma doença. Pelo contrário, acredito que é um privilégio conseguir entrar em contato com vivências antigas. Quanto a descobrir o nome que minha memória escondeu, vou perguntar novamente a moça e pronto! Para que ele não suma de novo, vou escrevê-lo na minha agenda, gravá-lo no meu computador e, mais importante, vou falar esse nome todas as vezes que me encontrar com a dona dele.

BRUNA

Sexta, 22 Fevereiro 2013 17:21
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Dormi bem, mas acordei estranha. Consigo notar que o sol brilha. Noto, contudo, um desassossego dentro de mim. Quero entender e frear essa onda. Preparo meu café com leite e, como tenho um tempinho, pego uma revista que assino e nunca leio. Folheio-a e deixo-a para lá. Olho a hora e constato que a minha ajudante está atrasada. Escuto a voz do vizinho e me incomoda a sua ladainha pelo telefone. Ele parece gostar de fazer reclamações. Tenho e-mails para organizar, mas não sinto nenhum tesão para fazer isso. Já são mais de quinhentos. Que explodam! Procuro uma receita na internet e acabo resolvendo que vou fazer do meu jeito. O noticiário estampa que o Papa vai cair fora. Por mim, pode ir. Minha cabeça me lembra que a menina Bruna vai iniciar sua quimio na semana que vem. Resolvo abrir esse arquivo. As recordações de outras quimios me invadem. Sinto a excitação de revisitar um lugar querido. Lembro de chegar bem cedo no Hospital com minha mãe e receber o carinho de cada pessoa que formava a equipe de oncologia. Lembro de ver as crianças que faziam a quimio. Lembro dos sorrisos daquelas crianças, que serviam como avisos para que as pessoas não levassem tristeza e angustia para perto delas. Quem faz quimio acaba entendendo o ritmo lento das gotas da medicação. Só entra uma gota de cada vez. É assim que funciona e que dá certo. Não precisa, nem pode ser nada veloz. É o maior aprendizado de paciência. Bruna vai aprender. Bruna vai ser cercada de médicos, enfermeiras, nutricionistas e muitos outros profissionais que estarão trabalhando para lhe ajudar. Bruna tem sorte. Tem uma família para lhe dar todo o suporte, para lhe dar amor. Pode ser que, no futuro, decida ser médica ou enfermeira para poder dar vazão a sua gratidão. Pode ser que prefira deixar essa decisão para mais tarde e queira antes conhecer o mundo. Quem há de saber isso agora? Bruna hoje tem onze anos e olhos no futuro. Bruna hoje deve estar se preparando para sua quimio. É com ela que estou agora e com quem quero estar. É para ela que meu coração se dirige. Há muita gente que está torcendo por Bruna e que vai vibrar a cada etapa que ela ultrapassar. Um brinde à vida, à vida de Bruna. Le Chaim!

ANIVERSÁRIOS

Terça, 26 Fevereiro 2013 08:34
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Meus netos comemoraram seus aniversários juntos. Ela fez quatro em fevereiro e ele fará dois em abril. A festa foi na casa onde moram. Minha nora se esmerou na decoração. Corações de papel laminado esparramados pelo chão davam a impressão de serem pétalas de rosas. Os convidados, na sua maioria, tiraram os sapatos assim que entraram. Tinha um pula-pula e uma piscina de bolinhas. Não tinha refrigerante algum. Sucos de frutas foram sendo feitos durante toda a festa. As comidas foram colocadas ao alcance das crianças e dos adultos. Ninguém serviu ninguém. Quase me esqueci disso, mas lembrei a tempo de disfarçar e deixar a bandeja com tortas salgadas no lugar de onde a tirei. O professor de capoeira da aniversariante distraiu as crianças durante uma hora, falando mansinho e fazendo exercícios da arte que ele domina. As crianças gingaram, pularam e rolaram. Aprenderam nomes como cabaça e berimbau. Depois, foi a vez de outro professor, o Alê. Com o violão em punho e jeito de menino levado, cantou e contou estórias. Não falou na Cinderela, nem no Rei Leão ou no Nemo. Contou estórias de índios e lendas das matas. Hipnotizou as crianças que lhe escutaram. Algumas crianças foram na piscina. Todas, em algum momento, gastaram um pouco de suas energias na cama elástica. Quando sentiram vontade pegaram frutas, milho cozido, pães de queijo ou alguma outra comidinha. Os brigadeiros evaporaram assim que as duas crianças sopraram suas velas. A festa durou quase cinco horas. Todos se divertiram e tudo deu certo. Enquanto tentava adormecer, foi inevitável recordar de quando eu era criança, pois sempre comemorei meu aniversário junto com meu irmão. Menos de 30 dias separavam nossos aniversários. Isso significava juntar no playground do prédio onde morávamos nossas duas turmas da escola, umas cinquenta crianças. Significava, entre muitas delícias, montanhas de cachorro quente e de sanduiches de queijo que esticavam. Na hora de cantar os parabéns, não faltavam centenas de brigadeiros, um bolo de morango e um pavê de amendoim. Não sabíamos que guaraná e coca cola faziam mal e bebíamos litros e litros. Corríamos e ríamos. Brincávamos muito. Devíamos fazer bastante barulho e bagunça. Adormeci com sorrisos de crianças desfilando na minha cabeça. Meus netos, os amiguinhos deles, meu irmão, meus amiguinhos... Acordei com a deliciosa sensação de ter sorrido a noite toda.  

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