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Vista da Janela de Melissa Michelsohn

Terça, 11 Dezembro 2012 22:21
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Dessa vez, Melissa não fez pose. Uma fotógrafa atenta e sensível capturou esse momento na sua festa de 3 anos. Vou me atrever a contar para vocês por onde me parece que Melissa estava devaneando. Melissa enxerga uma festa de gente grande. Luna, sua prima queimadinha do sol, está chegando em cima da hora com os cabelos curtos e um namorado novo a tiracolo. Elas se abraçam e demonstram o quanto estavam com saudades uma da outra. Sem que percebam, Melissa segreda no ouvido da prima que achou bonito o moço que ela arrumou. Dão risadas... Elas eram pequenas quando as circunstâncias da vida as separaram, mas parece que a distância só fez foi alimentar a união e amizade entre elas. Luna está se formando em biologia e conta sua grande novidade: pretende trabalhar na ONU. Tio Marcelo e tia Regiane se mostram orgulhosos. Num canto animado, Leo está conversando com sua tia Sandra. Ele conta sobre sua vontade de morar fora do país, talvez Austrália, talvez Canadá... Não sabe bem o que vai estudar, mas quer conhecer o mundo antes de se casar. Tia Sandra pergunta se ele vai se adaptar, se tem algum receio, mas ele lhe conta que o primo Flávio, do Rio, tem lhe dito maravilhas sobre Vancouver e o tio Jacky o convidou para passar uns tempos na casa dele em Sidney. Giovana está falando com as avós sobre as durezas deste ano do vestibular e como anda estudando muito para entrar em Medicina. Giovana é meiga e tem um jeitinho doce. Além de irmã, é uma grande amiga. Melissa se vê com mais atenção. Está uma moça bonita. Seus cabelos lisos e longos estão presos num rabo de cavalo. De mãos dadas com seu namorado, Diego, ela conta para os tios de SP sobre o seu trabalho de fim de curso na graduação em Teatro da UNICAMP. Já se apresentou fazendo algumas pontas e até apareceu numa novela na televisão. Apesar do calor, Melissa quis comemorar seus 22 anos no salão de festas do prédio do vovô Rony. Quis uma festa para reunir a família e alguns amigos mais chegados. Seus pais e tios dão risadas gostosas. Sempre é assim. Seu pai é impossível e sabe contar piadas e casos muito engraçados. Melissa sempre escutou que o pai da vovó Rosali, o biso Chaim, era muito extrovertido e que seu pai se parece muito com ele. Ela pensa que seu pai seria um ótimo ator. Melissa enxerga as bisas Edith, Peche e Ida conversando e sorrindo. Pode ser que não escutem tudo o que uma diz para a outra, mas com certeza elas arrumam um modo de se entender. Sua mãe e tia Regiane estão chamando para cantar parabéns. Giovana abraça vovô Eduardo e brinca com vovô Rony escondendo rápido seu mais moderno i-phone. Melissa sopra as velas depois dos Parabéns. Faz um pedido enquanto corta o bolo. Não pode falar o que pediu. Por segundos ela fecha os olhos. Ela olhou para sua janela. Eu olhei para minha. Assim que abre os olhos, Melissa sorri para mim.

Diálogo

Sexta, 04 Janeiro 2013 15:50
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- Outra vez? - É. Eles vão se mudar novamente. - Já mudaram tanto... Você já devia estar acostumada. - Verdade, mas dessa vez não são só os dois, os netos vão junto. - Você sabe o motivo? - Claro! Além de um belo projeto de trabalho, eles têm um sonho de viver entre amigos de acordo com as crenças e os valores deles. - Parece bem legal. - Claro que é. Conheço e gosto muito dos amigos que farão parte dessa aventura. Só posso torcer para dar certo. - Então, qual o motivo desse ranço de tristeza? - Tenho muita pena de me afastar das crianças. - Ah! Você está com pena de você... Golpe baixo, não acha? - Não queria estar me sentindo assim como uma coitadinha, mas essa coisa de ficar longe dos netos me pegou em cheio. - Você tem parentes e amigos que têm os filhos e netos na Bahia, nos Estados Unidos, na Austrália, na França, em Israel... - Eu sei, realmente fica impossível choramingar perto deles. Tenho pensado bastante e creio que essa busca de um lugar melhor, de uma vida melhor demonstra ter uma relação direta com a necessidade de se afastar dos progenitores. É duro aceitar que um filho possa precisar se afastar de mim... - Faz muito sentido. Poderíamos ficar aqui filosofando sobre a luta pelo poder e sobre a necessidade dos filhos de obterem o reconhecimento dos pais. - É, tem muita coisa para refletir, mas acredito que não tenha nada a ver com menos amor. - Claro que não! Não posso deixar de pensar que apesar de amar muito, também me afastei de meus familiares. - Então, você tem que admitir que também escapou da toca para conhecer outros mundos e outras pessoas. - Admito. Meu marido e eu tínhamos uma boa explicação. Ele recebeu uma boa oferta de promoção para trabalhar em outro estado. - Você sabe que poderiam ter recusado. - Verdade. Poderíamos ter ficado junto de nossos pais e irmãos. No entanto, resolvemos que tínhamos que conferir a oportunidade que apareceu para nós. - Foi difícil enfrentar a separação? - Foi. Lembro que choramos muito em diversas oportunidades, mas a maior choradeira foi na véspera de irmos de mudança. - Quem chorou? - Meu marido, eu, nossos filhos e cada um que abraçamos. Era para ser uma festa de despedida... - E depois? - Afirmo de boca cheia que não há como ter arrependimentos. Afirmo também que os laços com os nossos familiares queridos não se afrouxou. Seguimos nos amando e aprendemos a lidar com a distância. - Então é a sua vez de entender a necessidade deles de bater asas. - Eu sei... Agora meu papel é o de quem fica, de quem torce e aguarda as notícias. Vou tratar de arrumar uma mala leve e um monte de dias para viajar. - Trate de incluir seu marido nesse seu plano para 2013. - Ah! Ele vai estar junto. Tenho certeza. - Assim é que se fala! Até seu sorriso voltou! - Foi muito bom conversar com você. Obrigada. - Não há de quê. Se precisar, sabe onde me achar...

Pedaços

Quinta, 24 Janeiro 2013 09:36
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  Estava distraído. A lufada de ar gélido lhe atingiu como um tapa. Olhou pela janela e viu os indícios de uma tempestade que, provavelmente muito em breve, iria despencar. Quando a porta bateu, ele se assustou com o barulho, falou um palavrão e deu um pulo. Detestava levar sustos. Resmungando, levantou-se e foi fechar a janela. Estava só e desinibido para seguir falando o que lhe desse na telha. Xingou o tempo, apesar de, entre os dentes, reconhecer que era um mal necessário. Empalideceu quando notou cacos pelo chão. Merda! O que ainda poderia acontecer num dia assim? Buscou uma vassoura e com muita vontade de se livrar do estorvo, se pôs a juntar os pedaços do que havia sido um vaso. Sentiu necessidade de interromper  sua pressa. Sentou-se no chão. Espalhou-se ao lado dos cacos do vaso. Parece que, de alguma forma, misturou-se com eles. Lacrimejando, foi lembrando a ocasião em que esse vaso entrou na sua vida. Estavam de férias. Como havia sido bom! Tudo deu certo. Passeavam olhando e apreciando o comércio. No meio de tantas lojinhas e vitrines encantadoras foram fisgados por esse objeto. Era, sem dúvida, um belo vaso. Ela disse que sempre sonhou ter um como aquele. Pode nem ter sido um pedido, mas naquela época, ele era refém de cada pequeno gesto ou palavra da sua amada. Entrou na loja e não barganhou, nem quando escutou o valor exorbitante. O vaso ajudou a enfeitar a casa deles tanto tempo... Ele achou um lenço no bolso. Secou seu rosto, mas chorava tanto que não demorou a voltar a encharcá-lo. Murmurou palavras como se falasse com um amigo... Ela não quis levar nada. Nem mesmo o vaso...Estava exaurido, nocauteado. Sentindo a pujança da dor causada pela partida dela, de repente entendeu sua semelhança com o vaso em cacos.        

Duas Histórias de Cachorros Levados

Segunda, 15 Abril 2013 09:23
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A primeira: Um mocinho queria muito viajar para o exterior. Na verdade, queria encontrar a namorada que estava mochilando pela Europa. Além da grande vontade, ele não tinha recursos para ir a lugar algum. Como um milagre, surgiu uma oportunidade de viajar sem pagar passagem. Bastaria levar um cão. O grande problema era que o moço tinha uma aversão por bichos. No tocante a cachorros, poderia se dizer que tinha uma verdadeira fobia. Tinha que dar uma resposta rápida. Durante os seus momentos de reflexão para decidir se iria ou não, suou muito e até se sentiu mal, mas, por amor ou coisa parecida, acabou topando a empreitada. Sorriu amarelo quando, já no aeroporto, conheceu seu companheiro de viagem. Era grande. Teve a impresão que se tratava de um pequeno cavalo. O moço chegou a pensar que era alguma armação dos amigos. Não era. Fez o check in. Deu tudo certo. Havia uma parada para troca de aeronave em Paris antes de chegar ao destino final. O previsto era para ficarem em terra umas duas horas. Coisas acontecem... Avisaram que ficariam oito. Chegou a pensar na Torre Eiffel... Mas em poucos minutos a Cia Aérea entregou o cão para o rapaz tomar conta dele durante o tempo de espera no aeroporto. O cachorro tinha fome. O moço tinha pouca grana e também tinha fome. Dividiram um queijo quente. Andaram para cima e para baixo. Ficou lívido quando o cão precisou fazer suas necessidades. Achou que um guarda poderia lhe dar voz de prisão e lhe levar algemado. Limpou tudo correndo e não deixou nenhum vestígio de sujeira. Andaram mais um pouco, mas foram vencidos pelo cansaço e se deitaram esparramados no chão do aeroporto. Inexplicavelmente, o moço sentiu vontade de fazer carinhos no cão. Recebeu em troca lambidas afetuosas. Quem viu deve ter até se emocionado com a cena de afeto explícito. O cachorro e o rapaz desembarcaram bem no destino final. O melhor de tudo dessa experiência inusitada, segundo o moço, foi que seu medo acabou. E a namorada? Nem deu bola para ele. Estava tão em outra, que nem quis escutar como o seu ex amado conseguiu chegar ao seu encontro. Ou melhor, ao seu desencontro...   A segunda: Outro rapaz queria viajar e também se deparou com a oportunidade de ir acompanhando um cachorro. Havia uma grande urgência. O moço era do tipo afoito, daqueles que prestam pouca atenção a explicações. Escutou que precisava ter o passaporte em dia e ele tinha. Também entendeu que a viagem tinha que ser imediata. Ele podia ir. Era um vôo direto. Uma barbada. Não ouviu mais nada e nem perguntou. E foi. Entregaram-lhe o cão dentro do local onde iria viajar. Nem viu a cara do bicho. Parecia que estava dormindo. Embarcou. Sonhou e fez planos. Comeu e bebeu com muito gosto tudo que lhe ofereceram. Sentiu-se um rei. Ao chegar ao destino, não demorou a se desembaraçar de todos os trâmites e logo estava num taxi. O dia estava bonito, tudo estava perfeito e ele sentiu vontade de checar se o animal estava bem. Estranhou imediatamente. O bicho estava muito quieto. Demais. Inerte. Sem reação. Horror! O cachorro estava morto!!!!! E agora? O que fazer? Pediu para o taxista parar. Explicou seu drama. O sujeito foi legal e se prontificou a ajudar. Para encurtar a história, conseguiram achar um bichinho bem parecido com o falecido. O preço? Uma pequena fortuna, mas o que fazer nessa circunstância? Usou o cartão de crédito que a mãe havia lhe dado para usar somente em caso de grande emergência. Era o caso. Pediu ao motorista para parar quando estavam passando por um rio. Como se estivesse se livrando de uma praga, atirou-o da ponte e considerou que fez o que tinha que ser feito. Seguiram para o endereço de entrega do cachorro. Um homem já aguardava na porta. Parecia um pouco aflito. O rapaz saiu do taxi com o cachorrinho na mão. O homem empalideceu. Queria falar e não conseguia. Apontava para o cão. O rapaz achou que ele notou alguma diferença e que percebeu que era outro animal. Ficou branco também. O taxista pediu para receber e caiu fora. Quando o homem aflito e pálido conseguiu falar, disse que o que estava acontecendo era impossível. O rapaz, que era do tipo afoito, (lembram?) já estava prestes a jogar a toalha e declarar sua culpa, quando o homem falou que estava preparado para um dia triste, muito triste mesmo. Aguardava o corpo de seu cãozinho para enterrá-lo no jardim de sua casa. Definitivamente, não entendia como ele estava ali, diante dele, vivo. Sem ter naquele momento nenhum recurso melhor, o rapaz desmaiou. E o fim da história? Bem, o rapaz era afoito, mas não era mentiroso. Gaguejou, mas contou a verdade.     

FÊMEA INSACIÁVEL

Terça, 30 Abril 2013 11:54
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Ela vive como um bicho que procura encrenca ao provocar outros maiores ou mais fortes. Tem recursos. Tem estudo. Já fez mais de uma pós. É trabalhadora. É vaidosa e cuida com esmero de sua beleza. Não há nunca, nem um único fio de seu cabelo fora do lugar. Sempre se apresenta com as vinte unhas esmaltadas e com brilho de quem acabou de sair da manicure. Seu corpo tem as medidas exatas. Nada falta, nem sobra. É mulher que chama a atenção em qualquer ambiente. É mestre na arte de conseguir passar recados ainda que calada. Seus quadris em movimentos quase imperceptíveis sabem emitir convites indecentes. Seu olhar faz coreografia com sua boca e assim, sutilmente, revela uma enorme aptidão para jogos deliciosamente obscenos. Sabe que existe uma fera astuciosa que habita sua alma deixando a mostra vestígios de uma fêmea sempre sedenta e faminta. Essa fera não lhe dá trégua. Acostumou-se a lançar olhares e fazer caras para atiçar os homens. Para alguns ela amedronta, mas para outros ela instiga. E nessa aventura de caçar e ser a caça, ela conheceu um complexo caminho do gozo. Após anos e homens que passaram, ela recolheu histórias que não pode contar em qualquer público. Ela explica que é movida por uma força incontrolável. É algo que vem de dentro dela, talvez da alma, do útero, dos instintos ou até dos quintos dos infernos. É algo extremamente forte, ao mesmo tempo perigoso, mas também desejável demais. Revela que costuma chorar. Chora muito. Chora como uma criança triste e gulosa que quer sempre mais.

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