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Jeito de Mulher

Sexta, 27 Novembro 2009 17:19
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De longe dava para ver que alguma coisa estava acontecendo. Em torno da professora, uma agitação incomum me atiçou a curiosidade. Alguma coisa sumiu. Umas alunas olhavam agachadas embaixo do banco. Outras davam idéias de onde a coisa sumida poderia estar. Você olhou pelo chão da rua? Terá deixado em casa? Fez compras e se distraiu? Elas falavam ao mesmo tempo e a única resposta que se ouvia era um não repetido e desanimado. Entendi que se tratava da bolsa. Era grave. A aula estava atrasada, mas ninguém parecia se importar. A professora tinha uma aparência insana, bastante conhecida por qualquer um que já esteve nesta situação. Alguém saiu com a pergunta libertadora: Tinha coisa importante dentro dela? Como se para tentar exorcizar o demônio que a sufocava, a professora escancarou sua intimidade revelando tudo que havia no interior da bolsa: carteira com algum dinheiro, pinça, fotos 3x4 da filha, afilhado e marido, óculos escuros que ganhou no último aniversário, talão de cheque, batom, filtro solar, endereço da festinha da filha da vizinha, chaves de casa, celular, o livro que pegou emprestado e agora iria ter que comprar um para devolver, um bilhete amoroso do marido achado na cozinha naquela manhã, uma banana para comer no intervalo, o nome do remédio que tinha que comprar para a mãe, canhoto para pegar o aspirador de pó e num compartimento fechado com zíper, a carteira de motorista, o RG, o CPF, a carteirinha do convênio médico, os dois cartões de crédito e um papel dobradinho e meio roto com todas as suas senhas. As mulheres estavam em silêncio. Elas não estranharam nada naquela lista. Entendiam a lógica e a necessidade de ter tudo o que estava lá. Estavam irmanadas e totalmente sensibilizadas. A professora parecia exaurida, mas aliviada. Foi terapêutico. Melhor que qualquer remédio ou sábias palavras. Muito melhor. A aula começou. Ninguém tinha assunto, nem vontade de conversar. Notavam os pensamentos ainda martelando a cabeça da professora. Ela bem que tentou disfarçar, mas não segurou a onda e num estalo saiu correndo. Voltou com a bolsa erguida como um troféu. Estava no carro escondida, debaixo do banco. Foi uma alegria geral. Agora a professora chorava. Todas queriam lhe abraçar. Tem coisa mais linda que ser mulher?

Prazer Maldito

Quarta, 28 Novembro 2012 09:16
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Ela gosta muito de beber. Senta num bar, nas tardes de sábado ou domingo com amigos e, com a ajuda deles, entorna algumas dúzias de latas ou garrafas de cerveja. Sempre sai inteira e, segundo ela, em perfeitas condições, inclusive de dirigir. No último sábado, ela e duas amigas foram numa festa. O convite custou caro, mas podiam comer e beber à vontade desde a hora do almoço até de madrugada. Depois de forrar um pouco a barriga, ela resolveu experimentar vodka com suco de morango. Gostou. As amigas optaram pela cerveja. As três comeram e beberam um monte. A ideia era tentar fazer valer o preço alto que investiram nos convites. Bebiam e davam risadas. Pouco antes da meia noite, as três amigas acharam por bem encerrar o programa. A motorista exalando vodka sentou ao volante. Colocou o cinto de segurança e deu a partida. Precisou manobrar. Ao dar a ré, o carro bateu em alguma coisa e parou. As três tiveram muita sorte. Quase que imediatamente, a motorista começou a vomitar e, em seguida, apagou. Apavoradas, as duas amigas conseguiram puxar a inconsciente para fora do carro. Jogaram-lhe água, deram tapinhas no seu rosto, gritaram no seu ouvido, abriram à força as suas pálpebras, mas nada a fazia voltar a si. Com um esforço medonho, recolocaram-na no carro, dessa vez esparramada no banco de trás. Foram para um hospital. Esperaram um bocado para conseguir um atendimento. Constataram que ninguém tem pena de bêbado. Um médico, por fim, avaliou a situação e aplicou glicose na veia da moça alcoolizada. Esperaram duas horas pela alta da amiga e a levaram para casa. Despejaram a amiga dentro do quarto dela e foram embora. Quando a bebedora de vodka acordou sentia um grande mal estar. Não sabia dizer como chegou à sua casa. Estava ainda com a roupa e os sapatos que havia ido à festa. Sentiu medo do que pudesse ter acontecido. Encarou-se no espelho do banheiro. Notou os vestígios do vômito da noite anterior. Sua imagem lhe deu asco e uma enorme repugnância. Vomitou mais uma vez. Arrastou-se para o banho. Voltou para cama e, aos poucos, durante o dia foi se refazendo. Quando as amigas ligaram, falaram de tudo como se fosse uma piada, uma comédia. O susto e o medo foram enterrados. Ela e as amigas estão prontas para a próxima.

DA SURPRESA AO ABRAÇO

Quarta, 05 Novembro 2014 16:03
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Ela chegou de surpresa. Era uma amiga antiga, que morava pertinho e, por circunstâncias da vida, foi para longe. É daquelas que nem podemos pensar muito na falta que fazem, para não ficarmos pensando só no tempo que já passou. Ela tinha menos de uma hora e queria colocar tudo em dia: maridos, namorados, filhos, netos, trabalhos e mais mil casos antigos e novos. Gostei de perceber que seus quase sessenta anos não atrapalham em nada seu animo e bom humor. Parecíamos duas adolescentes sentadas de lado, com as pernas encolhidas e uma de frente para a outra no mesmo sofá da sala. Contou que depois de quarenta anos, reencontrou um colega de escola que lhe ajudou a levantar o astral depois da última separação no ano passado. O colega era bonito, bem apessoado e chegado a um chamego como ele só! Era um homem equipado e atento para a arte do amor. Pelo tempo que nada acontecia nos últimos anos de casada, ela estava certa que sexo era coisa do passado e que suas chuteiras já podiam ser penduradas. Em seis meses dessa aventura, o galã lhe mostrou como estava errada. Foi um deleite. Reativou motores enferrujados e partes da máquina que estavam totalmente sem uso. Se não fosse a gula por sabores e cores de fêmeas diferentes, até que poderiam ser um belo casal. Foi uma pena... Com os olhos mareados, mas ao mesmo tempo ostentando um sorriso, contou-me que não fez dessa separação nenhuma tragédia, afinal já havia passado situações bem piores. Levantando-se como quem já estava começando a se despedir, me garantiu que estava livre e pronta para voltar a ser quem sempre foi e voar para onde tivesse vontade. Essa era a amiga que eu conheci! Nem eu, nem ela queríamos nos separar, então lhe sugeri que ficasse mais um pouco para comermos juntas uma pizza. Parece que acertei a deixa. Ela soltou a bolsa no chão e disse que não poderia ir embora, sem me contar uma passagem que ocorreu enquanto esteve casada com um homem ciumento e mal humorado. Voltamos para o sofá da sala e ela foi iniciando o relato como quem tinha um carretel para desenrolar. Era um fim de tarde de domingo. Só os dois e a TV ligada no programa para ajudar o fim do domingo acontecer. Nada na geladeira e pizza na certa. Deixei escapar um suspiro. Ela foi adiante. Disse que não aguentava mais esse tipo de refeição calórica, mas estava sem energia para discutir por tão pouco. Ele perguntou se podia ser quatro queijos, ela preferiria um queijo só, mas sabia que era mais fácil deixar pra lá. Quando avisaram que a pizza chegou, ela quase se levantou, mas lembrou que ele cismava com as conversas dela com estranhos. Na cabeça dele, provavelmente, o entregador não seria capaz de resistir aos encantos dela e nem ela aos apelos do moço. Sendo assim, ela ficou sentada e ele foi buscar a comida. Ela estranhou a demora dele, mas não se mexeu. Quando enfim ele apareceu, ela estranhou o aspecto da caixa da pizza. Estava suja e meio desconjuntada. Ela quase comentou alguma coisa, mas lembrou-se que poderia chatear seu marido. Nessas horas, ela sentia-se como uma prisioneira dentro dela mesma, mas tratava de pensar que não era tão ruim assim e que ele tinha mil outras qualidades. O marido colocou a caixa esquisita na mesa e os dois se sentaram para comer a pizza. Quando ele abriu a tampa da caixa, ela notou que havia sujeira em cima dos tomates e dos queijos. Um pouco de grama e até lama atestavam que o conteúdo da caixa havia caído no chão. Ela olhou para ele como pedindo uma explicação. Ele pegou seu prato e deu a entender que queria ser servido. Ela ensaiou um início de conversa. Você demorou... Ele abreviou um fim. O cara estava sem troco. Ela tentou de outro jeito. A caixa... Ele esmurrou a mesa e perguntou se dava para mudar de assunto.  Ela sentiu que não ia conseguir ficar sem falar alguma coisa, mas queria fazer força para evitar discussões desnecessárias. Quando tinha sentimentos fortes, era comum que ela sentisse vontade de rir. Era uma reação nervosa. Foi o que aconteceu. A vontade de rir foi ficando avassaladora. Ela tinha que fazer alguma coisa urgente. Lembrou que só havia uma saída. Uma vez, uma amiga lhe deu um conselho para resolver situações assim. Fixou o seu pensamento num ponto triste da sua vida e apertou a boca para engolir o riso e junto conseguiu até engolir a indignação. Olhou diretamente para a pizza repetindo sem som e sem parar apenas uma frase: “Meu pai morreu! Meu pai morreu”. Foi difícil, mas deu certo! Conseguiu não rir, nem falar nada sobre a grama e a lama. Enquanto contou para mim esse caso, chorava de tantas risadas. Eu também ri, apesar de perceber que o que aconteceu não era só uma comédia. Ela confessou que comeu um pedaço. Comeu por que quis. Sentiu vontade de misturar na boca as coisas que sentia com aquela última pizza que iria comer com aquele cara. Quis ter certeza de que nunca mais se submeteria daquele jeito. Comeu como quem tomou uma vacina. Já sem rir, nem chorar, ela me olhou nos olhos e me perguntou se eu concordava que era uma passagem importante da vida dela. Amigas se abraçam. Foi o que fizemos.  

ACONTECEU COM MINHA AMIGA

Sexta, 07 Outubro 2016 18:46
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Nem era tão tarde, mas eu já estava de pijama e pronta para me recolher. Gosto muito dessa hora. Deixo-me inundar de silencio e sento na beira da cama, perto da minha cabeceira, para realizar uma rotina que já faço quase sem pensar. Primeiro pego o copo de água para tomar meus remédios. São dois: um cuida da minha pressão arterial e o outro do meu colesterol. Depois, acerto o despertador para o horário que preciso acordar no dia seguinte. Já não me lembro da última vez que acordei com o som desse velho despertador. Faz tempo que descobri um prazer muito grande de competir com essa máquina e desliga-la todos os dias sem ouvir o som que deveria me tirar do meu sono. Por fim, pego o livro e os óculos, me enfio nas cobertas e ajeito o travesseiro para ter a posição mais adequada para leitura. Todas as noites, deixo meu celular, sem som, carregando numa tomada que fica no corredor, perto da entrada do meu quarto. Quando nessa noite passei por ele, notei que havia sinais de mensagens. Ler ou não ler... Sabia que se tentasse ignorar essas chamadas, eu poderia ficar remoendo fantasias na cama. Era preferível saber o que se tratava. Das quatro mensagens que eu tinha, uma me fisgou. Uma grande e querida amiga, (preciso confessar que mudei seu nome e algumas partes da trama), Adélia, usando o áudio me contou que havia sido furtada. O ocorrido tinha sido no domingo à noite, entre 19:00 e 22:00 horas, quatro dias atrás. Senti um monte de emoções. Não hesitei, liguei imediatamente para Adélia. Puxa! Como você está querida? Estou bem, mas foi uma loucura. É muito estranho lembrar a cena que vivi ao entrar em casa e me deparar com tudo de pernas para o ar. Minha amiga descreveu aos borbotões e com detalhes os armários e gavetas que foram revirados e esvaziados. Eu escutava e fui percebendo uma crescente indignação dentro de mim. Adélia seguia falando. Eu moro em Ipanema, num edifício, meu apartamento é pequeno, são dois quartos... Lembra? Sim, lembro. Parece que quem esteve aqui sabia bem o que queria levar. Estava procurando joias e os dólares. Tenho montes de bijuterias. Não levaram nenhuma. Eram competentes. Profissionais. Eu tenho uma tranca especial na porta de casa. Você tem? Tenho querida, tenho sim, mas confesso que não a uso. Pois é, eu também tinha e não a usava. Agora, por favor, passe a usá-la. Isso pode lhe salvar de um dissabor como esse que eu tive. Concordei e segui na escuta. Adélia contou que no domingo pela manhã tinha saído com a irmã para passear. Foram andar de VLT no centro do Rio de janeiro. Almoçaram junto com a mãe e depois acharam bom descansar um pouco, já que à noite teriam um jantar em família. Adélia foi para o seu apartamento. Teve tempo de colocar música, ficar bem à vontade, se espalhar no sofá e ler uma revista. Deu uma boa cochilada. Quando despertou, olhou pela janela e notou que a luz do dia já estava sumindo. Precisava tomar um banho rápido, se arrumar e sair. Como sempre, ao sair, bateu a porta e verificou se estava bem fechada. Adélia lembra que quando pegou o elevador, verificou a hora. Eram 18:55. O jantar foi na casa do primo Renato. Era o jantar de Rosh Hashaná, Ano Novo Judaico. Muita comida gostosa, bolo de mel, peixe, frango, massa, compota, frutas, nozes e muito mais. Muita gente alegre e muitas risadas. Foi uma noite muito gostosa. Adélia lembrou que no ano anterior seu marido ainda era vivo, mas não lhe acompanhou nesse jantar. Ele passou por alguns meses de doença antes do desfecho triste e esperado. Adélia emocionada me disse que exatamente naquele domingo fazia um ano que ela havia ficado viúva. Tentei esticar meu braço e alcança-la para um abraço. Tentei encontrar as palavras mais próprias. Só saiu de mim um murmúrio. Pigarreei para reencontrar minha voz. Eu sei. Foi só o que consegui dizer. Adélia, então, voltou a falar de como ela se despediu da família no jantar e foi para sua casa. Logo ao entrar, notou na sala alguns objetos em cima da mesa. Achou estranho. Adélia é organizada e não costuma sair de casa deixando nada fora do lugar. Olhou para dentro de seu quarto e custou a entender o que estava vendo. As suas roupas estavam emboladas pelo chão. As gavetas esvaziadas. Sapatos, bolsas, papéis, fotos, remédios, etc. Tudo espalhado pelo quarto. O fundo falso do armário, onde guardava as joias, que o marido havia lhe dado, e os dólares que sobraram da última viagem, estava escancarado. Nem sombra do que antes estava lá dentro! Que desgraçados! Quebraram ou sujaram alguma coisa? Não, não fizeram nada disso. Apenas pegaram o que se propuseram a pegar. Que violência! Como você está querida? Não vou me deixar abater por isso. Foram-se os anéis e ficaram os dedos! Adélia, você tem direito a estar bem chateada... Não adianta! De que me adianta ficar com raiva? Você deu queixa na polícia? Dei. Você sentiu que eles vão procurar descobrir quem foi o ladrão? De jeito nenhum! Eles me aconselharam a passar a sempre usar a tranca, mas foram taxativos em afirmar que esse furto foi feito por pessoa que me conhece, que conhece meu apartamento e onde guardo meus valores. Começaram a levantar suspeitas. Segundo eles, nesse tipo de ação, o meliante pode ser a faxineira, ou alguém que tivesse feito algum serviço para mim ou até um de meus amigos e parentes. Como cereja do bolo, o delegado, sabendo do meu estado civil, me perguntou se eu trazia muitos homens para casa...Nunca se sabe quem se conhece num bar ou numa balada, não é mesmo mocinha? Canalha! O que você respondeu para ele, querida? Nada. Olhei para ele com indiferença, perguntei se faltava fazer alguma coisa, me levantei e fui embora. Você é mesmo incrível! Conseguiu trabalhar no dia seguinte? Calma! O dia seguinte ainda estava longe. Quando voltei da Delegacia, percebi que havia batido a porta e deixado a chave dentro do apartamento. Era mais de meia noite e eu estava sem ter para onde ir. Não poderia ir para casa de minha mãe, pois era muito tarde e ela poderia se assustar. Depois de ter sido roubada, não tinha a mínima vontade de ir para um hotel. Sentei nas escadas e comecei a rir. Afinal, o que eu estava vivendo parecia tão absurdo que se fosse um filme, ninguém iria engolir essa história. Deitar no corredor foi minha primeira opção, mas em seguida, num lampejo de coragem, veio o pensamento de tocar a campainha do vizinho e pedir acolhida. Você o conhece? Um pouco. É um moço de uns quarenta e muitos anos ou cinquenta e poucos. Depois que meu marido morreu, ele ocupou o cargo de síndico. Isso me fez considera-lo alguém de confiança. Você teve mesmo coragem? Tive sim. Toquei e ele apareceu de pijama e cara de quem estava dormindo. Custou para ele entender o que estava acontecendo. O cara é meio lerdo... Mas ele, por fim, me disse para entrar e dormir no sofá da sala. Puxa! Que sorte! Calma... Ainda falta alguma coisa? Quando eu deitei no sofá, logo sabia que não iria conseguir dormir. Fiquei sem jeito de perguntar se ele teria, por acaso, um rivotril... Cara! Não... Isso você não fez! Não fiz mesmo, mas tentei entender o que estava me incomodando, o que eu precisava fazer para melhorar um pouco a minha situação. Eu estava de calça jeans justa e uma camisa. Eu não consigo dormir assim. Ia ser uma noite dos infernos se eu não tomasse a atitude que tomei. Chega de suspense Adélia, fale! Eu encostei o ouvido na porta do quarto do vizinho. Escutei o ronco dele. Quase voltei para o sofá e abafei o caso, mas senti que eu não merecia sofrer nem um minutinho a mais naquela noite e bati na porta do quarto do meu protetor. Ele só abriu a porta na terceira batida. Dessa vez, a expressão dele quase me assustou. Ele questionou o que eu queria. Fui bem objetiva: Você pode me emprestar uma camiseta sua para eu dormir? Ele não esperava por mais esse pedido e talvez, por ter sido pego de surpresa, não teve outra reação que ir ao seu armário e providenciar o que eu precisava. Agradeci e voltamos a nos separar. Deitei no sofá e minha mente se pôs a rever as cenas do dia. Fui afastando uma a uma para poder tentar descansar. Quando o cansaço estava quase me vencendo, um diabinho me trouxe um pensamento torturante: você faz cocô, pela manhã, todos os dias quando acorda. Com essa maré de azar que você está vivendo, há grandes chances de você usar o banheiro do vizinho e não conseguir dar a descarga. Já pensou? Adélia, você jura que ficou pensando nisso? Fiquei. A noite toda? Uma boa parte.  Como termina esse horror? Eu usei o banheiro do vizinho. E? Deu tudo certo. Quando fui embora do apartamento do vizinho, agradeci a gentileza dele. Ele me respondeu que não foi nada e que estava reparando que para quem havia passado tamanha tensão, até que eu estava bem, parecia que eu tinha até um sorriso no rosto. Eu lhe respondi que me considerava uma pessoa de sorte, pois eu tinha certeza que as coisas poderiam ser bem piores... Pronto! Contei tudo que eu tinha para lhe contar! Só falta lhe mostrar as fotos que tirei do estado que encontrei meu apartamento. Vou lhe enviar. Certo, mas só as verei amanhã. Boa noite! Já está tarde. Vamos dormir. Como admiro você minha amiga querida! Você é inspiradora. Vai escrever essa história? Se eu escrever, muita gente vai achar que você não existe. Posso? Claro...

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