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Ele estava mal. Para onde olhasse, estava tudo em desordem e tudo sem saída. As contas, algumas vencidas, e os projetos para dar andamento estavam lado a lado em cima da mesa, ou piscando na tela do seu maldito computador. Numa tentativa de escapar de alguma coisa ruim que estava bem dentro dele, avisou que ia sair, bateu a porta e num minuto alcançou a rua. Não tinha fome, nem sede. Aliás, nem vontade de andar ele tinha, mas se empurrou e foi. Os passos foram lhe levando e não havia importância se ia para direita ou esquerda, muito menos se andava rápido ou devagar. De repente, passou a mão no rosto. Estava sem se barbear. Essa revelação de desleixo lhe incomodou. Não queria escancarar seu baixo astral. Lembrou que seu pai falava muito sobre a importância de respirar, abrir os pulmões e se encher de vida. Parece que fazer essas inspirações mais profundas podiam lhe ajudar em alguma coisa. Sabia que, no mínimo, lhe colocavam mais perto dos conselhos do seu pai e isso já lhe dava uma espécie de consolo ou alívio. Mexeu os ombros como se quisesse soltar algum parafuso que estava lhe prendendo. Foi conseguindo ficar mais leve e até colocou sua cabeça mais ereta. Notou a cor do céu e gostou de olhar as árvores floridas. Parecia que havia encontrado um rumo legal para achar pensamentos que não lhe torturassem. Uma buzina o despertou assim que ele, inadvertidamente, deu alguns passos para atravessar a avenida. Tá maluco? Quer morrer? Ficou surpreso em ouvir justamente perguntas que estavam no porão da sua mente. Encolheu-se. Não sabia para onde ir, mas o juízo lhe disse que tinha que voltar para o trabalho. Foi voltando. Chegou à sua sala e constatou, sem nenhuma surpresa, que nada havia mudado por lá. Abriu a janela. Resolveu dar uma ordem naquela bagunça. Jogou fora montes de papéis. Separou cartões e anotações importantes. Fez algumas ligações e tomou providências. Quando acabou de limpar a sua caixa de e-mails já estava escurecendo. Deu-se conta de que havia conseguido melhorar, mas dessa vez não foi nada fácil. Tomou a decisão de que era inadiável destrinchar o emaranhado perturbador que vinha lhe assombrando. Chega! Era hora de buscar ajuda.
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