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QUE ADULTO TERÁ SE TORNADO ESSE MENINO?

Quinta, 17 Outubro 2013 11:35 Escrito por 
Se a memória não me falha, na época eu não tinha filhos e esse fato aconteceu por volta de quarenta anos atrás. Meu marido quis demonstrar gentileza para com seu chefe do trabalho e convocou-me para ir com ele visitar o tal chefe num apartamento quente e bem pequeno. Era uma manhã de sábado ou domingo com sol e calor. Quem já esteve no verão do Rio de Janeiro consegue imaginar o clima. O homem era casado e tinha só um filho de uns cinco anos.  Na ocasião, claro que nem pensamos, mas hoje posso imaginar a contrariedade da esposa do chefe querendo saber se, realmente em vez de ir à pracinha ou à praia, eles iriam ficar em casa recebendo visita... Assim que abriram a porta, demos de cara com um menino bastante ativo que corria pelo apartamento e também pulava nos sofás. Não veio nos dizer bom dia, nem ninguém o chamou para sermos apresentados. Era esperto e arrumou um jeito mais efetivo de se fazer notar: enquanto corria e pulava, passou a dar berros e gritos. Ele apenas estava chamando a atenção de seus pais, mas para nossos olhares inexperientes enxergamos uma aberração. Tínhamos uma caixa de bombons para dar para a criança. Quando o garotinho sossegou um pouco, entregamos a ele o seu presente. De imediato, reparamos que ele não nos agradeceu e nem ninguém lhe sugeriu que o fizesse. Em segundos, o papel de presente foi furiosamente estraçalhado. Sem largar a caixa de bombons, o menino puxou uma cadeira para perto da janela. Havia uma proteção e, acredito que por essa razão os pais não se importaram com o gesto. Como quem deu asas ao diabinho que lhe estava soprando orientações, o menino passou a jogar pela janela um por um e até o final, todos os bombons. Foi tudo muito rápido. Não me lembro de como meu marido e eu deixamos escapar nosso desconforto e estranhamento com o que havia acabado de acontecer. Pode ser que até pedimos para o menino parar de jogar os bombons fora. Pode ser que apenas ficamos com nossas bocas abertas, sem fala e com o espanto estampado nos nossos rostos. O pai, que assistiu impávido a toda a cena, para surpresa nossa, não se dirigiu ao seu filho. Suas palavras foram para nós: Se vocês deram um presente para ele, ele tem o direito e pode fazer com esse presente o que quiser. Não é mais de vocês. Esqueçam! Pode ser até que o que ele fez não agrade a vocês... Paciência! Muito sem graça e já sem assuntos, não demoramos a nos despedir e retirarmos nosso time de campo. Em poucos meses meu marido mudou de emprego e assim perdemos o contato com essa família. Deve haver alguma razão para essa história ter ficado na minha cabeça tanto tempo e ter surgido agora. Vou cavar essa resposta durante minhas reflexões, mas há uma mistura de desejos e vários questionamentos que identifico de imediato. Tenho vontade de saber que rumos o menino terá tomado na sua vida à medida que foi crescendo. Será que na escola foi um aluno taxado de ter um comportamento difícil? Será que virou um cara do bem? Será que teve filhos e os educou como foi educado? Seus pais ficaram satisfeitos com a educação que deram para o filho? Deu certo? Eu me sinto como se estivesse no meio de um filme ou de um livro e, por algum motivo, não pudesse ver ou ler o final. Fica faltando fechar alguma coisa... Você entende? Já lhe aconteceu isso? Então, vou lhe pedir um favor, se esse menino era você ou se você sabe onde anda o homem no qual ele se transformou, não hesite, mande-me uma mensagem. Agradeço de coração.    
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