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Leo está prestes a completar um mês. Fecho os olhos para relembrar os momentos mágicos, a poesia e as pitadas surreais do seu nascimento. Foi do jeito que minha nora e meu filho desejaram e se preparam. Foi na casa deles, com uma parteira, uma doula e uma pediatra. Enquanto ele nascia no banheiro de seus pais, havia um homem montando um armário, num dos quartos da casa, que não percebeu nada de extraordinário acontecendo. Isso parece piada, mas é a prova de que tudo transcorreu no maior sossego. Faço minha memória voltar para o dia 15 de abril, uma sexta feira, quando meu filho me ligou e me perguntou se eu gostaria de conhecer Leo, meu neto. Depois que consegui entender a mensagem, fiquei atordoada. Ou vice e versa... Peguei minha bolsa e com as chaves do carro na mão, fui para o elevador. Mudei de idéia e voltei para buscar uma torta que eu havia acabado de assar. Dando a partida no carro, liguei para o meu marido. Ele já sabia e estava a caminho também. Cheguei e entrei direto no quarto do casal. Leo estava nos braços de sua mãe com seu pai ao lado. Meu filho e minha nora tinham no olhar um brilho de muita emoção. Reparei então nas mulheres que estavam lá trabalhando. Pareciam ter estendido uma tenda de proteção e amor naquele quarto. Tive, então, a nítida impressão de sentir a presença de meus pais, sogro, irmão, meus avós e até da minha Tia Pola. Dei um jeito de cumprimentá-los. Acho que só Leo notou. Peguei-o nos meus braços e revivi pela terceira vez a sensação abençoada de entrar em contato com uma vida que havia acabado de começar. Coloquei Leo no colo do meu marido e ele também se embriagou de emoção. Passamos a ouvir os relatos de como as coisas aconteceram. A parteira e a doula acompanharam com calma a evolução das contrações. Minha nora se comportou o tempo todo corajosa e tranquila. A banheira com água quente, segundo ela, aliviou bastante as dores. Meu filho foi um companheiro maduro e amoroso. Ninguém interferiu com manobras, muito menos com instrumentos. Às 09h58min Leo nasceu e logo chorou, ao respirar pela primeira vez, sem que ninguém lhe batesse para isso. Quando a pulsação do cordão umbilical cessou, meu filho cortou-o. O relato nesse instante foi interrompido, pois a pediatra foi examinar Leo. Ele estava bem. A doula tratava de deixar tudo em ordem. A parteira certificava-se das boas condições da sua parturiente. Parecia que estavam todas para ir embora. Senti que era uma hora propícia para um café com torta de ricota embora fosse quase meio dia. Minha nora adorou a idéia. Cada um comeu um pedaço da torta e com o café fizemos o primeiro brinde à saúde do Leo. Foi uma festa! Quanta alegria naquele quarto! Posso jurar que vi meu avô dançando, minha avó pedindo para ele se comportar, meu sogro e mamãe com lágrimas nos olhos, Tia Pola e Julio sorrindo e meu pai piscando para mim, como me dizendo que a vida vale muito a pena, exatamente por momentos como esse.
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