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FESTA DE FAMÍLIA

Terça, 19 Fevereiro 2013 07:59 Escrito por 
  Nem todo mundo dá importância a encontros familiares. Eu dou. Sinto um gosto especial ao rever um monte de pessoas que não vejo há muito tempo e que são galhos da árvore genealógica da minha família. Foi com esse espírito que fui à festa do bar mitzva do priminho Nati. Quando recebi o convite, minha memória imediatamente voou para o nascimento daquele menino. Era o segundo filho. Hoje essa família cresceu e tem crianças de um ano até uma meiga mocinha de quinze. Já são sete filhos. Todos saudáveis e bonitos. Só para vê-los, já valeria a pena. Como meus primos, os donos da festa, são judeus ortodoxos, sabia da importância de ser recatada. Escolhi um vestido apropriado. Cheguei cedo. Gentilmente, uma senhora veio avisar que meu marido teria que ir para o outro lado. A festa tinha dois lados: homens e mulheres. Nós sabíamos que seria assim. Aos poucos, os convidados foram chegando. Abracei e beijei primas e tias. A irmã de meu pai, tia Terezinha, a avó do menino que estava sendo festejado, mostrou-me que trazia uma bolsa que havia ganhado de minha mãe. Eu lhe mostrei que usava os brincos dela. Não precisamos falar mais nada. Sabíamos que era nosso modo de trazer mamãe para a festa. Fui sabendo novidades. A tia que vai ter que reoperar o joelho, a prima que perdeu trinta quilos, a mudança de escola da Gabi e seu desejo de ser veterinária, o primo de Israel que chegou para passar férias com a família, a vontade de ser estilista da pequena Isa, a prima que voltou a ficar bem com o marido e mais um monte de assuntos aparentemente desprovidos de grande importância, mas  que para mim faziam muito sentido. Quis abraçar os primos e tios não ortodoxos, mas não tive coragem de passar para o lado masculino. Fiquei parada na separação do salão olhando os rabinos, os homens e meninos de preto e não consegui me mexer. Acenei para um tio querido e fiquei feliz quando ele passou para o lado das mulheres. Depois do primeiro transgressor, outros se revelaram. Papai certamente viria me beijar e abraçar. Ele ficaria um tempo conversando comigo. Eu estava pensando nele, quando me dei conta de que ninguém chamou a atenção daqueles homens que estavam no lado das mulheres. A regra estava clara, mas não foi motivo para criar brigas e discussões. Lembrei que há um ensinamento judaico que fala da importância de não fazer uma pessoa se sentir constrangida. Foi uma bela demonstração de respeito a esse ensinamento. Quando notei que as mulheres estavam dançando em roda, deixei-me tomar por uma alegria contagiante e fui participar. Parecia que todas queriam se abraçar. O simples fato de se ver provocava uma sensação muito boa, algo como uma grande onda de ternura. A festa foi filmada e fotografada. Garçons serviam gostosuras. Tudo estritamente casher. A música só foi interrompida na hora do discurso do jovem Nati. Como quem percebe que o encanto estava para ser quebrado, fui me despedindo. Quando me dei conta, estava na estrada voltando para casa. Meu marido me conhece há muito tempo e sabe como fico depois de uma imersão como a que fiz nessa festa. Fomos conversando bem de mansinho. Falei do meu lado e ele do dele. Havia uma lua linda no céu. Senti que, aos poucos, bem aos poucos, minha alma foi se afastando daquele salão.     
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1 Comentário

  • Link do comentário STELLA CASIUCH Quarta, 20 Fevereiro 2013 10:14 postado por STELLA CASIUCH

    Querida Rosali, que bom ver uma crônica sua no Facebook da Famíia K.
    Lindo, como sempre, e suas lembranças de família são como as nossas, quando reunimos os primos nos Encontros K. Como sempre, um prazer ler seus escritos. Beijos carinhosos da STELLA CASIUCH

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