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Quando li a notícia não entendi. Ou melhor, não quis acreditar. Um dia antes, havia uma enorme corrente rolando na internet pedindo doação de sangue para esse menino. Como era possível tudo ter acabado? Felipe morreu. Não, eu não o conhecia. Posso dizer que sou amiga de longa data de primos dele, mas não entendo que precise me explicar por ser solidária nesta dor. Felipe tinha onze anos e, como se costuma dizer, uma vida inteira pela frente. Foi fácil descobrir que ele gostava do mar e que tinha muitos amigos. Está tudo documentado na rede social. Imagino que deva ter aprendido a surfar com o pai. Imaginar cenas de Felipe surfando não combina em nada com a tragédia que brutalmente se abateu sobre esse menino, mas são ondas e pranchas que chegam junto com Felipe na minha mente. Felipe foi cremado há poucos dias. As fotos dele e as mensagens trocadas entre parentes e amigos ainda salpicam pela internet e me convidam a pensar na vida e na morte. Consegui falar por telefone com sua prima, que me fez saber que Felipe foi atingido por uma bactéria assassina. Uma pequena ferida pode ter sido a porta de entrada para essa tragédia. Difícil ter alguma certeza, além da que nos faz refletir sobre a fragilidade da nossa existência. Trocamos algumas frases. Queria ser capaz de dizer alguma coisa que ajudasse, mas estava muito emocionada e foi ela quem me explicou que estão todos muito tristes, mas que falam da chegada de Felipe no céu quase como se fosse uma linda solenidade. Falam de outros assuntos que já não incluem Felipe. Ouço ainda que, apesar de estarem esfacelados, tentam cair de pé. Esse jeito de enfrentar adversidades, resume minha amiga, é marca registrada da família que Felipe e ela pertencem, a família K. Desligamos e me lembrei que de dois em dois anos, já é uma tradição, as centenas de membros da K, vindos de vários pontos do planeta, se juntam e sem medo de fazer muito barulho explodem em manifestações de alegria e também sem nenhum pudor, extravasam suas muitas outras emoções. No próximo encontro, imagino que Felipe estará mais do que presente. Também imagino o quanto o sorriso doce desse menino vai iluminar o caminho dos que seguirão suas vidas sem ele. E assim, irmanada com os K, vou me voltar para as outras direções que minha vida exige.
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3 Comentários

  • Link do comentário Silvelenice Noronha Sexta, 26 Outubro 2012 11:47 postado por Silvelenice Noronha

    Tão emocionante, tocou profundamente a minha alma.
    Não conhecia Felipe, nem fiquei sabendo da corrente na internet....
    Mas, esse texto "caiu" na minha quase tarde e fez que eu mergulhasse na dor e por incrível que pareça na mais profunda esperança!! Escrevo com lágrimas nos olhos; de amor, de gratidão, de dor, de solidão....Desejo força para a família de Felipe. União, parece, que eles já tem de sobra!
    Não conheço também a Rosali, mas que lindo o que ela escreve. Com certeza ajuda a muita gente. Gratidão por ter lido e sentido esse texto tão especial!!!!!

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  • Link do comentário Renato Bordovsky Sexta, 26 Outubro 2012 09:00 postado por Renato Bordovsky

    Querida e doce Rosali.

    Lindas palavras que nos trazem conforto.

    Obrigado.

    Renato Bordovsky

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  • Link do comentário soeli Quinta, 25 Outubro 2012 00:49 postado por soeli

    muito bonito e tocante.

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