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ESCANDINÁVIA II - PASSEIO OPCIONAL PARA GELEIRA

Quinta, 04 Setembro 2014 10:35 Escrito por 
Era opcional. Um programa a mais no meio de tanta coisa bonita. Será que valeria a pena? Meu marido e eu nem chegamos a ter dúvidas. Já havíamos visitado outras geleiras. Sabíamos que se tratava de uma paisagem rara e belíssima. Vamos! Mal tivemos tempo de fazer um intervalo entre a chegada do passeio da manhã e a saída para a geleira. O céu estava anunciando chuva. Qualquer pessoa com um pouco de bom senso perceberia que estávamos entrando numa fria. Não nós que estávamos abduzidos pelo espírito do turista, aquele que elimina dúvidas sem análises, ou melhor, o pensamento descansa e só funcionam as emoções. O espírito em questão pinça em cada um a sua parte mais cheia de vontade de aproveitar o máximo de qualquer coisa, muitas vezes a qualquer preço.  Entramos no ônibus, fomos contados pelo guia e, assim, estávamos prontos para seguir. O grupo do opcional era composto na maioria por pessoas, como nós, de meia idade, mas também constava de alguns jovens e outros com idades mais avançadas. O aspecto em comum era a animação crescente à medida que nos aproximávamos do local esperado. Paramos num típico lugar para pessoas não nativas. Um local com café, comidinhas, banheiro e a lojinha de presentes e lembrancinhas. Tínhamos que esperar nosso horário de ir visitar a geleira. Estávamos na Noruega e não havia jeitinho para apressar nossa visita. Outros grupos já estavam por lá. Tudo organizado. Quando nos reunimos na hora e local indicado, já caia uma chuvinha fina. Tínhamos que andar. Os otimistas de plantão se apressaram a dizer que não era nada. Houve quem ficasse ressabiado, mas calou-se e seguiu com o grupo. Chegamos com mais chuva ao encontro de veículos totalmente abertos que estavam a nossa espera. Só nos restava achar graça, acomodarmo-nos e aguardarmos. O motorista distribuiu lonas e, falando em norueguês, entendemos mais tarde, queria dizer que iriam nos proteger. A chuva apertava. Era uma chuva de água bem fria. O motorista deu a partida. Começamos a subir. Depois de uma ou duas curvas, deu para ver uma queda d’água enorme muito próxima de nós. O motorista pegou uma ponta da lona e fez um gesto de se cobrir dizendo mais coisas em norueguês. Um dos engraçadinhos do grupo fez piada e disse que já estávamos mesmo na chuva, então era para se molhar... Não deu outra, todos do banco ao lado do motorista ficaram totalmente encharcados pela força da água. Em fração de segundos, os demais, no qual me incluo, ficaram espertos e entraram embaixo da lona. Como a lona não era transparente e queríamos ver o que a natureza tinha para nos mostrar, sorrateiros, colocávamos as cabeças para fora da lona e, qualquer um pode imaginar que estávamos a cada segundo mais e mais encharcados. Ríamos muito cada vez que alguém fazia alguma coisa para tentar se secar. A subida continuou mais uns dez ou quinze minutos. Quando não deu mais para seguir motorizado, descemos do nosso veículo e seguimos caminhando. Sim, ainda chovia. Sim, estávamos molhados como pintos. De repente avistamos a geleira. A maioria viu o espetáculo junto com as gotas de chuva que enfeitavam seus óculos. Majestosa! De tirar o fôlego! Fotos e filmagens foram feitas acreditando que a água não iria danificar nossas máquinas. Tive a impressão que a geleira parecia contente com nossa visita, ainda que não se mexesse, não abrisse a boca, nem esboçasse um sorriso. Quis entender melhor esse assunto, mas acabei me conformando em compreender que há grandezas que não cabem em explicações. O nosso grupo, o opcional, no tempo todo que teve para apreciar a geleira, deixou transparecer uma enorme alegria. Riu por tudo, por nada ou apenas por estar onde estava. Ficamos um bom tempo apreciando e curtindo. Alguns inclusive ergueram pequenas esculturas com pedras. Foi nos dito que o formato das pedras poderia ter relação com os trols e espíritos diversos... Alguns chegaram a sentir que deixaram mensagens para falecidos moradores daquela região, ou de outras, ou talvez para os que ainda não morreram, ou para os que não nasceram. Não sei... Não engatei bem com essa lenda e só com algum custo consegui que duas pedras se aquietassem uma sobre a outra. Até as pedras sentem quando não há uma boa conexão... Voltamos no mesmo veículo. Quase não chovia. Chegamos ao mesmo café. O sol estava saindo. Um novo grupo já estava a postos para conhecer a geleira. O céu ficou azul e o sol brilhava forte. Sorte deles? Pode ser. Fomos para o ônibus que nos levou direto para o hotel. A sensação mais presente no grupo foi a de ter feito uma boa travessura. Fizemos o trajeto para o hotel gargalhando e lembrando da queda d’água, da lona, da chuva e da geleira. Quando algum de nós teria feito algo parecido pela última vez?  Pesquisando na volta da viagem, descobri que a Noruega tem algo em torno de 1.600 geleiras. Não tenho certeza se lembro do nome correto da geleira que visitamos. A única certeza que tenho é que ninguém do grupo deste opcional se arrependeu da farra!          
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