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ESCANDINÁVIA I - TEMPLO DO SILÊNCIO

Quarta, 27 Agosto 2014 17:33 Escrito por 
Recentemente cheguei de uma viagem à Escandinávia. Sempre soube que minha mãe e meu pai queriam ter ido para esse destino. Lembro que quando quase estavam resolvidos a ir, refizeram suas contas e desistiram. Que pena! Não demorou muito e as doenças chegaram e o belo sonho deles de conhecer tais paragens foi enterrado junto com os dois. Durante as conversas que tive com eles... Sim, converso com meus pais naquelas horas que consigo entrar em contato comigo e com as partes escuras e sagradas da minha alma. Bem, numa dessas conversas percebi que remexer no assunto provocou uma onda de excitação e entusiasmo tanto da minha parte como da deles. Pode ser que pareça muito estranho essa coisa de dialogar com quem já não vive. Alguns podem tentar explicar esse fenômeno através da minha negação de tê-los perdido. Outros dirão que as falas dos meus pais são simples projeções da minha mente. Não tenho vontade de esmiuçar algo que me traz tamanho prazer e alento. Consegui descobrir através dessas conversas que tive a benção deles para fazer essa viagem. E fui. Chega a ser engraçado como muita gente pede para ver as imagens que registrei durante a viagem. Tenho que confessar que não sou capaz de fazer boas fotos ou filmes à altura das belíssimas paisagens que desfilaram pelo meu olhar atento. No entanto, posso garantir que se eu fizer uso da minha condição de escritora e cronista, posso relatar passagens da viagem que foram importantes para mim e assim poderei compartilhá-las com outras pessoas. Fiz um acordo comigo e ficou decidido que farei algumas crônicas dessa viagem. Não vou começar pelo primeiro dia, nem por qualquer tipo de ordem. Vou por onde minha memória desejar. Começo, então, por uma descoberta inusitada que aconteceu na capital da Finlândia. Deparei-me, bem no meio do centro da cidade, com a existência de um Templo do Silêncio. Ele é todo de madeira e sem janelas. Tem um formato bastante diferente de qualquer templo que eu tenha visto na minha vida. Quis entrar e conferir por dentro. Um pequeno corredor me levou a abrir uma porta e entrar no recinto principal. Nenhum adorno além da bela madeira. Nada para distrair qualquer pessoa interessada em desfrutar do silêncio. Que ideia brilhante! Fizeram um local para propiciar o total bloqueio de sons. Um oásis de calma e serenidade. Ali existe a possibilidade de um encontro com o vazio e com o nada. Um lugar perfeito para meditação. Um local aberto para qualquer indivíduo, independente de sua crença religiosa ou até ausência de uma. Pesquisei depois e soube que esse projeto, Kamppi Chapel, inaugurado em 2012, foi idealizado pelo governo de Helsinque em conjunto com a Igreja Luterana. Isso explicou a presença de uma pequena cruz. Enquanto eu me buscava no meio do silêncio, a porta se abriu e alguém entrou. Junto com a pessoa entrou o barulho de fora. Incrível! Medonho! A porta se fechou e o ambiente voltou ao seu estado de ausência completa do lá fora. Naquele momento eu me dei conta que estava prestes a viver uma incrível experiência, afinal estava no templo que favorece a escuta da voz interna. Chamei a minha. Como conheço bem esses passeios da alma, apenas fechei os olhos e deixei-me levar. Não demorou para que a festa dentro de mim acontecesse. O sagrado transbordou em mim. Chorei misturando emoções de alegria e tristeza. Fiquei de cabeça para baixo. Voei até o teto. Rodopiei e gritei. Cantei músicas antigas e até orações. E quando me dei por satisfeita, respirei fundo, depois soltei o ar e lentamente abri os olhos. Sai de lá como quem completou o combustível que necessitava para seguir adiante. E fui.
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