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Duas Histórias de Cachorros Levados

Segunda, 15 Abril 2013 09:23 Escrito por 
A primeira: Um mocinho queria muito viajar para o exterior. Na verdade, queria encontrar a namorada que estava mochilando pela Europa. Além da grande vontade, ele não tinha recursos para ir a lugar algum. Como um milagre, surgiu uma oportunidade de viajar sem pagar passagem. Bastaria levar um cão. O grande problema era que o moço tinha uma aversão por bichos. No tocante a cachorros, poderia se dizer que tinha uma verdadeira fobia. Tinha que dar uma resposta rápida. Durante os seus momentos de reflexão para decidir se iria ou não, suou muito e até se sentiu mal, mas, por amor ou coisa parecida, acabou topando a empreitada. Sorriu amarelo quando, já no aeroporto, conheceu seu companheiro de viagem. Era grande. Teve a impresão que se tratava de um pequeno cavalo. O moço chegou a pensar que era alguma armação dos amigos. Não era. Fez o check in. Deu tudo certo. Havia uma parada para troca de aeronave em Paris antes de chegar ao destino final. O previsto era para ficarem em terra umas duas horas. Coisas acontecem... Avisaram que ficariam oito. Chegou a pensar na Torre Eiffel... Mas em poucos minutos a Cia Aérea entregou o cão para o rapaz tomar conta dele durante o tempo de espera no aeroporto. O cachorro tinha fome. O moço tinha pouca grana e também tinha fome. Dividiram um queijo quente. Andaram para cima e para baixo. Ficou lívido quando o cão precisou fazer suas necessidades. Achou que um guarda poderia lhe dar voz de prisão e lhe levar algemado. Limpou tudo correndo e não deixou nenhum vestígio de sujeira. Andaram mais um pouco, mas foram vencidos pelo cansaço e se deitaram esparramados no chão do aeroporto. Inexplicavelmente, o moço sentiu vontade de fazer carinhos no cão. Recebeu em troca lambidas afetuosas. Quem viu deve ter até se emocionado com a cena de afeto explícito. O cachorro e o rapaz desembarcaram bem no destino final. O melhor de tudo dessa experiência inusitada, segundo o moço, foi que seu medo acabou. E a namorada? Nem deu bola para ele. Estava tão em outra, que nem quis escutar como o seu ex amado conseguiu chegar ao seu encontro. Ou melhor, ao seu desencontro...   A segunda: Outro rapaz queria viajar e também se deparou com a oportunidade de ir acompanhando um cachorro. Havia uma grande urgência. O moço era do tipo afoito, daqueles que prestam pouca atenção a explicações. Escutou que precisava ter o passaporte em dia e ele tinha. Também entendeu que a viagem tinha que ser imediata. Ele podia ir. Era um vôo direto. Uma barbada. Não ouviu mais nada e nem perguntou. E foi. Entregaram-lhe o cão dentro do local onde iria viajar. Nem viu a cara do bicho. Parecia que estava dormindo. Embarcou. Sonhou e fez planos. Comeu e bebeu com muito gosto tudo que lhe ofereceram. Sentiu-se um rei. Ao chegar ao destino, não demorou a se desembaraçar de todos os trâmites e logo estava num taxi. O dia estava bonito, tudo estava perfeito e ele sentiu vontade de checar se o animal estava bem. Estranhou imediatamente. O bicho estava muito quieto. Demais. Inerte. Sem reação. Horror! O cachorro estava morto!!!!! E agora? O que fazer? Pediu para o taxista parar. Explicou seu drama. O sujeito foi legal e se prontificou a ajudar. Para encurtar a história, conseguiram achar um bichinho bem parecido com o falecido. O preço? Uma pequena fortuna, mas o que fazer nessa circunstância? Usou o cartão de crédito que a mãe havia lhe dado para usar somente em caso de grande emergência. Era o caso. Pediu ao motorista para parar quando estavam passando por um rio. Como se estivesse se livrando de uma praga, atirou-o da ponte e considerou que fez o que tinha que ser feito. Seguiram para o endereço de entrega do cachorro. Um homem já aguardava na porta. Parecia um pouco aflito. O rapaz saiu do taxi com o cachorrinho na mão. O homem empalideceu. Queria falar e não conseguia. Apontava para o cão. O rapaz achou que ele notou alguma diferença e que percebeu que era outro animal. Ficou branco também. O taxista pediu para receber e caiu fora. Quando o homem aflito e pálido conseguiu falar, disse que o que estava acontecendo era impossível. O rapaz, que era do tipo afoito, (lembram?) já estava prestes a jogar a toalha e declarar sua culpa, quando o homem falou que estava preparado para um dia triste, muito triste mesmo. Aguardava o corpo de seu cãozinho para enterrá-lo no jardim de sua casa. Definitivamente, não entendia como ele estava ali, diante dele, vivo. Sem ter naquele momento nenhum recurso melhor, o rapaz desmaiou. E o fim da história? Bem, o rapaz era afoito, mas não era mentiroso. Gaguejou, mas contou a verdade.     
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