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Esse caso se passou nos anos 70. Carnaval no Rio de Janeiro.Um casal com crianças pequenas, vinte e poucos anos (naquela época se faziam filhos bem antes dos trinta) e pouca grana. O melhor programa era o condomínio em Teresópolis. Lá fugiam do calor e podiam se encontrar com casais amigos que também tinham filhos pequenos. Chegaram na sexta-feira no final do dia. Ela foi preparar o jantar, fazer as camas e desfazer as malas. As crianças correram para brincar. Ele recebeu um bilhete (não existiam celulares naquela época). Um amigo tinha um assunto urgente. Como urgências de amigos sempre foram prioridades, foi saber do que se tratava. Já era tarde quando voltou. Ao entrar no quarto, sentiu o convite em forma de perfume que ela lhe havia deixado no ar. Fizeram amor. Ainda estavam suados e meio ofegantes, quando ele anunciou que precisava contar sobre a conversa que teve com o amigo. Ela ficou apreensiva e pensou em doença. Nada disso. É uma oportunidade única. Então, ela tentou adivinhar: um negócio, um bom emprego, uma viagem para os dois casais... Ele interrompeu sua mulher como quem corre atrás de um balão de gás para impedi-lo de ir para o céu. Tinha que falar logo. O amigo tinha dois ingressos para um camarote do desfile das Escolas de Samba no sábado. Irrecusável, não? Ela achou que não havia entendido. Ele, tomado por um entusiasmo incontrolável, falava da sorte que lhe caiu do céu. Imagine só, ele e eu, comendo e bebendo rodeados de samba e alegria... Só em sonhos! Para finalizar a conversa, disse que a mulher do amigo foi compreensiva, super legal e deu o maior apoio para que eles fossem. Com um bocejo tentou fazer o fim da cena, mas nesse momento parece que uma onça acordou dentro dela. Não acho boa idéia, nem vejo nenhuma grande oportunidade. Ele arregalou os olhos e iniciou o discurso do ofendido. Ela não ligou. Rolaram mais de uma hora numa discussão feroz. Vou de qualquer jeito! De mim você não ganha aval para farra! Você é louca! E você? Esperto? Já disse que vou! Então não precisa voltar... O sábado do feriado amanheceu azedo por conta da briga do casal. As crianças queriam passear, andar a cavalo, jogar bola, fazer qualquer coisa e choramingavam para obter a atenção de seus pais. A mãe anunciou que tinha que fazer umas compras. Saiu com seus óculos escuros e seus olhos vermelhos. O pai empurrou as crianças para brincarem com os amiguinhos e ficou quieto num canto. Depois do almoço o amigo chegou cheirando a perfume gostoso e com um colar havaiano no pescoço. Tá pronto? Vamos? O som da voz que respondia era quase inaudível, mas era um não. Tá brincando? Não acredito! Nem fale mais nada comigo, isso não se faz. Uma porta bateu. O casal se estranhou. Ele levou um tempo para entender se perdeu mesmo uma grande oportunidade. Ela foi taxada de possessiva e controladora por quase todos os que ficaram sabendo da história. Tiveram que conversar um bocado, mas acabaram se acertando. Quer saber? Tão certinhos até hoje...
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