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ABRAM ALAS! AQUI NÃO FICO!

Quarta, 04 Dezembro 2013 09:29 Escrito por 
Ela preferiu ir de metrô. Era a escolha mais acertada, pois chegaria mais rápido e pagaria menos. Conseguiu comprar o bilhete depois de enfrentar uma fila de vinte minutos. Não estava habituada e nem gostava de estar no meio de tanta gente. Não dá para explicar o que acontece no terminal Tietê em SP nas tardes de domingo. Muitas malas, pacotes, barulho, muitas crianças, jovens, velhos, gente simples, gente nem tão simples, gente de todo jeito. Sentiu um desconforto crescendo. Sua garganta estava seca e dando sinais de estar apertada. Como não era dada a desistir dos seus intentos, respirou fundo, pediu informações, desceu e subiu escadas rolantes e, seguindo placas, chegou ao local correto para aguardar o seu transporte. Ficou comportada atrás da linha amarela. Notou que nem todos respeitavam essa ordem. Aguardou poucos instantes e escutou o barulho do metrô chegando. Formou-se uma aglomeração medonha. Quando as portas se abriram, algumas pessoas saltaram e um bolo de gente, com ela no meio, entrou. O vagão estava lotado. Ficou em pé e se deu por feliz por, ao menos, conseguir se segurar para não cair numa freada. Enxergou o mapa das estações. Identificou onde estava e quantas estações ainda faltavam. Calculou que em menos de dez minutos chegaria ao seu destino. Havia uma muralha de pessoas entre ela e a porta. Falou com a pessoa à sua frente que precisava se deslocar. Parece que a pessoa não lhe ouviu. Não se mexeu, nem lhe deu bola. Pode ser que não lhe escutou mesmo, pois o barulho era grande. Uma agonia foi crescendo dentro dela. Precisava estar mais bem colocada, se quisesse conseguir sair daquele vagão! Pensou em gritar, mas desistiu. Pensou em usar a força, mas não sabia como, não tinha prática de usar a violência. Então, pensou que muita gente também iria descer na mesma estação que ela, e assim, não teria problema. Escutou o nome da estação que era o seu destino. As portas se abriram e quase ninguém se moveu. Disse: por favor, por gentileza, deixem – me passar, por obséquio... Mas ninguém se abalou. Escutou o sinal das portas se fechando. Novamente precisou achar um meio de se acalmar e foi o que fez acreditando que poderia saltar numa estação à frente e depois voltar... Claro que esse retorno teria um preço também, mas não queria pensar nisso naquele momento. Em poucos minutos, chegou à próxima estação. Novamente ouviu o sinal das portas se abrindo. Ainda estava muito difícil conseguir se mexer e alcançar a saída. Um sinal de alarme parece que disparou dentro dela. Chega! Quero sair daqui! Com coragem e força soltou seus pulmões: Abram alas, arredem! Suando e com o coração aos pulos, se deu conta de que foi cuspida do vagão. Era tamanha sua alegria e emoção que ria e chorava ao mesmo tempo. Conseguiu! Essa história não me sai da cabeça. Fiz analogias e recordei momentos complicados em que quis sair de "vagões"... Você já se viu em situações assim? Ainda espera que os outros lhe deem passagem? Sentiu curiosidade e quer tentar passar por essa experiência? Domingo está chegando... Depois me conta...  
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